Marques Mendes condena reforma "atabalhoada" das urgências

O líder do PSD acusou o primeiro-ministro de estar a fazer uma reforma "atabalhoada" dos serviços de urgência e de ser "autista" relativamente ao aumento do desemprego.

Agência LUSA /
O aumento do desemprego foi outro assunto que motivou uma acesa troca de palavras entre o líder social-democrata e o primeiro-ministro Lusa

"A reestruturação das urgência é uma reforma ditada por um espírito de arrogância e está a ser feita de uma forma completamente atabalhoada", disse Marques Mendes, na primeira intervenção da bancada social-democrata no debate mensal com o primeiro-ministro, que na resposta atacou a falta de liderança do líder social-democrata.

José Sócrates rejeitou as acusações, considerando a reforma "imprescindível" para melhorar o serviço Nacional de Saúde e a rede de urgências.

"A actual rede de urgências não oferece qualidade, segurança, nem equidade", sublinhou José Sócrates, considerando "inaceitável" que o PSD se oponha a esta reforma e acusando Marques Mendes de ser incoerente, já que na moção de estratégia que levou ao último congresso social-democrata defendia precisamente a necessidade "imperiosa" de reformar o funcionamento das urgências hospitalares.

"Não acha que há aqui um pouco de incoerência da sua parte", questionou José Sócrates dirigindo-se directamente ao líder social-democrata.

O primeiro-ministro foi ainda mais longe no ataque a Marques Mendes, acusando-o de não liderar o PSD e se limitar a "andar a reboque" e a "ir atrás" da contestação.

"Se vê alguém a contestar na rua, então, dá-lhe razão", salientou, lamentando que os sociais-democratas nunca tenham avançado com esta reforma da rede de urgências por temerem precisamente a contestação.

Marques Mendes não rejeitou a necessidade de se reformar a rede de urgências, assegurando, contudo, que nunca faria "uma reforma atabalhoada e arrogante" como a que está a ser desenvolvida pelo Governo.

O aumento do desemprego foi outro assunto que motivou uma acesa troca de palavras entre o líder social-democrata e o primeiro-ministro, com Marques Mendes a recordar que, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, no último trimestre de 2006 a taxa de desemprego atingiu os 8,2 por cento, o que corresponde a "453 novos desempregados por dia" ao longo desses três meses.

"Isto é um desastre social", salientou Marques Mendes.

Na resposta, José Sócrates preferiu-se centrar-se nos dados relativos ao emprego, assinalando o aumento de 0,7 por cento verificado durante o ano de 20 06, que permitiu a criação de 37 mil novos empregos, o que acabaria por levar Marques Mendes a acusar o primeiro-ministro de estar a ser "autista".

"Não acha que está a ser autista? Não vê que a taxa de desemprego está a subir? Deve ser o único português que não vê", referiu Marques Mendes.

"O desemprego não se elimina por decreto", respondeu José Sócrates.

Relativamente à reestruturação das forças de segurança anunciada pelo primeiro-ministro na abertura do debate mensal, Marques Mendes reconheceu a necessidade de modernizar e reorganizar o sector.

"Acompanhamos o Governo nessa preocupação", disse, considerando positiva a manutenção da autonomia da PSP e da GNR, mas alertando para o "especial cuidado" com que terá de ser conduzida a integração da Brigada de Trânsito e para a necessidade de "não descorar" o interior do país.

"Espero que esta reestruturação seja feita com mais inteligência, mais sensatez e menos disparates que a reestruturação das urgências", disse Marques Mendes.


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