Mau pavimento nas auto-estradas é motivo de insegurança

O tratamento das reclamações e o preço das portagens são os factores que mais desagradam aos utentes das auto-estradas, refere um estudo para o Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias. Metade dos condutores considera que o mau estado do pavimento é a causa da insegurança. A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados contesta os critérios do estudo, que diz "limitados" e darem "uma visão cor-de-rosa".

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
O estudo aponta que 23 por cento dos condutores tem atrasos frequentes, atribuindo 77 por cento responsabilidades ao congestionamento do tráfego RTP

Manuel Ramos começa por lamentar que o estudo se limite "à realidade portuguesa, que não tem de longe nem de perto a qualidade de outras vias europeias". Como exemplo, o presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M) aponta a existência na A-25, junto a Viseu, de "uma curva de 150 graus que seria impensável em qualquer estrada europeia". "Portugal não está no sistema europeu de certificação de estradas e, se entrasse, não teria boa classificação", sublinha.

"O Executivo tem vindo a utilizar a segurança rodoviária para mostrar serviço, mas o que tem posto em prática não tem qualquer relação com a realidade", critica, depois de classificar de "desastrosa" a actuação do Governo no que respeita à segurança nas estradas nacionais. "Se morremos menos é graças aos países do Norte da Europa que impuseram maiores critérios de segurança aos fabricantes".

Manuel Ramos refere a que as multas prescritas em 2005, 2006 e 2007 atingiram "números recorde", factor que contribui para o aumento de um "sentimento de impunidade".

O presidente do ACA-M denuncia a incapacidade política em introduzir e regulamentar um sistema de auditoria de segurança rodoviária, quando já passam 11 anos sobre a declaração do Plano Nacional Rodoviário. "Isto faz com que continuemos a não ter qualquer auditoria independente e, que, em Portugal, se possam continuar a fazer auto-estradas para mostrar serviço, sem o mínimo de preocupação se são seguras", conclui.

Mais de 70 por cento dos utentes das auto-estradas satisfeitos

O estudo do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) resulta de um inquérito aplicado pela Qmetrics e pela Universidade Nova de Lisboa a 3007 condutores. Setenta e dois por cento dos utentes estão satisfeitos com as auto-estradas nacionais, concluíram os autores do documento.

Um dos indicadores do inquérito de satisfação permitiu apurar que quase 50 por cento dos condutores atribui o sentimento de insegurança ao mau estado do pavimento das vias. No entanto, apenas 14,4 por cento dos inquiridos sugeriram a melhoria do pavimento.

O tratamento das reclamações e o preço das portagens são os factores com maior taxa de desaprovação nos utentes, com 3,4 e 3,9 valores respectivamente (numa escala até 10). A qualidade do atendimento nas áreas de serviço e a lealdade no percurso escolhido são os aspectos que mais aprazem, com 8 e 8,7 valores.

O presidente do InIR, Alberto Moreno, apontou que os utilizadores das auto-estradas querem qualidade dos pavimentos, segurança e fiabilidade, no que respeita à gestão de obras e tempo de deslocação.

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