Medicina de Catástrofe é lacuna em Portugal e "há muito para fazer"
A medicina de catástrofe é uma lacuna em Portugal, havendo ao nível do ensino poucas faculdades que a integram nos planos curriculares, lamentou hoje uma especialista.
A consciência de que em Portugal existe uma lacuna e que "há muito para fazer" motivaram a realização do Congresso de Medicina de Catástrofe, que decorre de quinta-feira a sábado, em Lisboa.
"Em Portugal, a Medicina de Catástrofe não é muito falada, havendo muito para fazer", afirmou à agência Lusa Ângela Garcia Alves, membro da Comissão Científica do Congresso, acrescentando que esta iniciativa visa "colmatar uma lacuna existente na Medicina portuguesa".
Também ao nível do ensino, "há grandes falhas" neste novo ramo da Medicina, sendo muito poucas as faculdades que integram a Medicina de Catástrofe nos planos curriculares.
"Em Portugal, apesar de nunca termos vivido uma situação de grande catástrofe, já temos tido alguns sustos, como a queda da Ponte de Entre-os-Rios, por isso sentimos que é preciso estarmos preparados", afirmou a médica.
Ângela Garcia Alves destacou também o facto de "Lisboa ser uma cidade de grande perigo" acrescentando que a "preparação é essencial" porque o "improviso só acarreta mais morbilidade e mais mortalidade".
O desenvolvimento tecnológico teve como consequência o surgimento de catástrofes relacionadas com o comportamento humano que, só no século XX, vitimaram mais de 200.000 milhões de pessoas.
É neste contexto que surge a Medicina da Catástrofe, procurando dar respostas e solucionar os grandes acidentes que afectam a sociedade.
A Medicina de Catástrofe é um "novo ramo da Medicina", surgido da conclusão de que "a Medicina de Catástrofe não tem as mesmas características da Medicina de Urgência, nomeadamente ao nível ético e na forma de actuar", explicou Ângela Garcia Alves.
O ensino, as organizações pré-hospitalares e hospitalares e a Medicina Legal, são algumas das áreas abarcadas por este ramo da Medicina, que procura "solucionar situações complexas de catástrofe".
O Congresso de Medicina de Catástrofe, organizado pela Faculdade de Medicina, da Universidade Clássica de Lisboa, reúne especialistas nacionais e estrangeiros para discutirem "o estado da arte" em Medicina de Catástrofe, promovendo a troca de ideias e informação entre profissionais de várias especialidades.
O congresso procurará analisar também o ensino e o treino da Medicina de Catástrofe.
Na quinta-feira, terão lugar dois cursos pré-congresso, o curso de "Educação e treino em Medicina de Catástrofe", que inclui um exercício de simulação e o curso "Riceland: Simulação para preparação de hospitais em situações de catástrofe", com o objectivo de explicar como funciona um plano de emergência hospitalar, de forma a dar resposta a um afluxo maciço de vítimas ao hospital.
Para sexta-feira, "Educação e treino em Medicina de Catástrofe", "Ensino Interactivo", "Intervenção em Catástrofe" e "Meio de resposta à Catástrofe", serão os temas em debate.
No sábado, será discutido o terrorismo, tendo como objectivo encontrar uma resposta para a pergunta "Estamos preparados?".
O papel da comunicação social em situações de catástrofe, a identificação de aspectos médico-legais da medicina de catástrofe e os aspectos psicológicos das vítimas em situações de catástrofe serão também abordados durante o dia de sábado.