DPOC. Médicos advertem para importância de reforço da vacina contra a Covid-19

Valorizar sintomas como alterações da tosse ou da expetoração. É o que recomendam os médicos pneumologistas, ao advertirem para a necessidade de reforçar a vacinação contra a Covid-19 dos portadores de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica. Assinala-se na quarta-feira o Dia Mundial da DPOC.

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A Escola Nacional de Saúde Pública prepara-se para fazer um estudo sobre a dimensão da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica em Portugal Thomas Peter - Reuters

Ouvido pela agência Lusa, o diretor do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra sustentou que seja dada prioridade na vacinação contra a gripe e no reforço contra a doença causada pelo SARS-CoV-2 a doentes com diagnóstico de DPOC.

“Faz sentido que sejam objeto da vacinação gripal, pneumocócica, que é muito importante (...), e deverão também fazer parte do reforço da vacinação SARS-CoV-2”, afirmou o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, para acrescentar que os portadores de DPOC, por norma, ”têm uma idade mais avançada e, por isso, muitas vezes apresentam outras doenças associadas, como a diabetes ou a insuficiência cardíaca”.

A DPOC é resultado da exposição continuada a substâncias tóxicas, a começar pelo tabaco.

Quanto a sinais de alerta, Robalo Cordeiro precisou que os fumadores que já têm tosse e expetoração acabam por desvalorizar alguns sintomas.

“Os fumadores muitas vezes já têm alguma tosse e expetoração, o chamado catarro respiratório, e desvalorizam o agravamento de queixas”, afirmou.

“São sinais de alarme para que percebam que não e só bronquite tabágica, mas que estão a caminhar para este problema, completou o médico.
DPOC “não pode ser curada, mas pode ser tratada”

Carlos Robalo Cordeiro, que é também presidente da Sociedade Respiratória Europeia, relembra que a doença é crónica e evolutiva e “precisa de diagnóstico e enquadramento terapêutico”.

“Como as pessoas desvalorizam, a DPOC é muitas vezes diagnosticada tardiamente, muitas vezes já com grande condicionamento na capacidade de esforço e com necessidade de oxigénio”, vincou o pneumologista.

A Escola Nacional de Saúde Pública prepara-se para fazer um estudo sobre a dimensão da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica em Portugal. Sintomas como cansaço, falta de ar e dificuldade em fazer esforços, além da tosse e da expetoração alteradas, que se tornam persistentes, devem levar as pessoas a consultarem um médico da especialidade.

“Isto deve conduzir os doentes para o estudo da função respiratória, porque é aí que se faz o diagnóstico da DPOC”, acentuou Robalo Cordeiro.

O clínico enfatiza que a doença “não pode ser curada, mas pode ser tratada”.
Estudo
A Escola Nacional de Saúde Pública, apoiada pela farmacêutica AstraZeneca, prepara-se para levar a cabo um estudo sobre a DPOC. Este trabalho vai contar com a participação de especialistas na área. E visa “aumentar a evidência científica e conhecimento na identificação dos principais constrangimentos no seguimento de doentes e estratégias de atenuação”, segundo a coordenadora Ana Rita Pedro.

“O estudo dos desafios específicos da gestão de DPOC, quer seja a nível da relação doente-médico, institucional e do sistema de saúde são ainda insuficientes”, admite, em declarações à Lusa.

Ainda de acordo com Ana Rita Pedro, as estimativas indicam que, em Portugal, a DPOC tenha uma prevalência de 14,2 por cento em pessoas com mais de 40 anos, o que equivale a aproximadamente 800 mil pessoas.

“A progressão da DPOC está relacionada com a gravidade e frequência de exacerbações e pode levar a consequências clínicas a curto e longo prazo, desencadeando padrões clínicos mais graves da doença”.

c/ Lusa
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