Cultura
Memorial de homenagem aos presos políticos da prisão de Caxias. Obra pública de Graça Morais para Oeiras
A construção do Memorial da Liberdade está a avançar em Oeiras para se tornar um ponto de encontro e reflexão sobre a luta contra a ditadura e o 25 de Abril. O espaço vai ter um painel de azulejos de homenagem aos presos políticos da Prisão de Caxias, da autoria da pintora Graça Morais.
A obra pública tem por base um cartão desenhado e pintado a carvão e pastel sobre papel, com rostos e corpos que simbolizam a dor e sofrimento, mas também a força da luta contra o medo e a esperança.
O Painel de azulejos com as dimensões de 6m x 20m está pronto e vai posteriormente ser colocado num lugar de destaque junto à antiga prisão política de Caxias. Foi construído tendo por base um cartão de 1,50m x 5m, desenhado e pintado a carvão e pastel sobre papel.
Em declarações à rádio pública, a pintora Graça Morais diz que o Memorial vai transformar-se "num encontro de pessoas. Por isso vai ser uma especie de jardim com bancos onde as pessoas se podem encontrar. Podem pensar. Podem refletir e isto é de uma grande responsabilidade para mim".
A artista orientou de perto a passagem do desenho para a cerâmica deste Painel de azulejos da Fábrica Viúva de Lamego que já está pronto e que vai integrar o Memorial da Liberdade que está a nascer em Oeiras "fui à Fábrica Viúva de Lamego. Pontualmente iá lá para orientar os pintores, sobretudo um jovem pintor que é bastante bom. E fomos primeiro ver as provas de cor. É para ficar uma obra que eu tenha vaidade nela. E que as pessoas também se sintam bem".
Graça Morais conta que esta obra nasceu de um desafio do presidente da Câmara de Oeiras: "Ele há anos que me andava a pedir para fazer uma obra pública em Oeiras. Eu tenho muito respeito pela obra pública que tem que interagir com as pessoas que a vêem. Porque é vista por milhares de pessoas".
Uma homenagem
O painel é uma homenagem a mulheres e homens que lutaram e sofreram, dentro e fora da cadeia, para que fosse possível a concretização do 25 de Abril de 1974.
A artista considera que é uma grande responsabilidade que lhe foi entregue: "Porque eu não quis fazer uma ilustração dos presos politicos; foram dez mil presos políticos naquela prisão de Caxias. E eu não ia meter nesta dimensão o rosto desses presos. Então o que tentei comunicar às pessoas, são rostos anónimos, rostos que não são retratos. De um certo sofrimento, certos traumas e ao mesmo tempo há pontos de esperança".
Graça Morais explica ainda que sente "uma grande dívida em relação a essas pessoas. Essas pessoas que na clandestinidade foram presas, foram torturadas. Perder a liberdade já em si é horrível. Devo a essas pessoas a minha liberdade como Mulher. E o maior direito que nós temos é o direito a ter um pensamento livre. E esse pensamento transformar-se em Obra", afirma a pintora.