Mendes exige despedimento de Mário Lino "por indecente e má figura"
O líder do PSD exigiu quinta-feira que o primeiro-ministro obrigue o ministro das Obras Públicas a pedir desculpas pelas referências que fez à margem sul do Tejo ou então despeça Mário Lino "por indecente e má figura".
"Este é um problema uma vez mais do primeiro-ministro: ou obriga o ministro das Obras Públicas a pedir desculpas ou o despede por indecente e má figura", afirmou o líder social-democrata, Luís Marques Mendes, durante um jantar de pré-campanha do candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, realizado quinta-feira a noite.
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações afastou quarta-feira a hipótese do aeroporto se localizar na margem sul do Tejo por as zonas de Poceirão, Faiais e Rio Frio (as alternativas à Ota) serem um "deserto".
"Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas", sustentou Mário Lino.
Classificando estas declarações "não apenas como um delírio mas como uma provocação e um insulto", Marques Mendes foi mesmo ao ponto de considerar que as afirmações de Mário Lino são "de alguém que já não está bom da cabeça".
"Foi um insulto à população, aos autarcas, aos trabalhadores", sublinhou Marques Mendes, caracterizando Mário Lino como "um inenarrável ministro".
Num discurso muito duro, o líder social-democrata fez também referência ao que chamou de "perseguição" a Fernando Charrua, professor de inglês e antigo deputado do PSD, que por ter feito um comentário à licenciatura do primeiro-ministro foi suspenso pela directora regional de Educação do Norte e está neste momento a ser alvo de um processo disciplinar.
"Ou o Governo demite a directora regional ou, então, é conivente com esta situação. Não é apenas um problema da ministra mas de cumplicidade do primeiro-ministro", sublinhou, classificando a directora regional de Educação do Norte como uma "comissária política do Governo".
A decisão do Governo de manter o congelamento das carreiras da função pública até 2009 foi igualmente alvo das críticas de Marques Mendes, que considerou ser altura de deixar de "maltratar" os funcionários públicos e tratá-los "como bodes expiatórios de um Governo que não conseguiu controlar a despesa pública".
O despedimento de 500 trabalhadores da empresa Delphi, na Guarda, mereceu também um comentário de Marques Mendes, que lembrou o desmentido feito pelo secretário de Estado da Indústria a declarações do ministro da Economia.
"O ministro Manuel Pinho disse que o problema destes trabalhadores estava resolvido em Castelo Branco, depois o secretário de Estado desmentiu, dizendo que não havia emprego para nenhum deles", lembrou.
Na segunda-feira, o ministro da Economia, Manuel Pinho, disse que a empresa Delphi iria criar postos de trabalho em Castelo Branco, minimizando assim o impacto do despedimento de 500 trabalhadores na Guarda.
Na tarde do mesmo dia, o secretário de Estado afirmou à agência Lusa que a multinacional de componentes para automóvel Delphi já criara 250 novos postos de trabalho na unidade de Castelo Branco, desde o início do ano.
"O problema não está no disparatado ministro mas no primeiro-ministro que lhe dá cobertura", observou o líder social-democrata.