Menina portuguesa morta em incêndio foi hoje enterrada em Paris
A menina portuguesa de dois anos que morreu no incêndio de um hotel em Paris no passado dia 15 foi hoje enterrada no cemitério de Thiais, nos arredores da capital francesa, disse à Agência Lusa fonte consular.
O funeral de Patrícia Mendes decorreu apenas cerca de duas semanas depois do incêndio devido à obrigatoriedade de autopsiar o corpo e a questões burocráticas, segundo a fonte.
à cerimónia assistiram a mãe, Vânia Mendes, o pai, a avó materna e alguns conhecidos da família que vivem na região parisiense, assim como o cônsul-geral de Portugal em Paris, João Teotónio Pereira.
Segundo a mesma fonte, Vânia Mendes, que se encontra ainda internada no hospital devido a ferimentos sofridos no mesmo incêndio, deslocou-se ao cemitério numa ambulância, tendo regressado depois ao hospital.
Os encargos do enterro no chamado "cemitério dos pobres" foram assumidos pela Câmara Municipal de Paris, que costuma realizar neste local os funerais de pessoas sem recursos, garantindo cerimónias "dignas" a baixo custo.
A família de Vânia Mendes deverá regressar esta semana a Portugal, mas a cidadã portuguesa manifestou o desejo de permanecer em França, onde quer encontrar emprego, adiantou a fonte consular.
Tanto Vânia Mendes como a filha gémea de Patrícia, Yara, que sobreviveu ao incêndio, continuam hospitalizadas com ferimentos sem gravidade e deverão ter alta em breve, continuando a ser acompanhadas pelos serviços consulares portugueses de Paris, adiantou a fonte.
Em curso continuam as investigações sobre o acidente, cuja "autoria involuntária" foi assumida por uma mulher francesa de 31 anos, depois de detida e interrogada pela polícia.
Na origem das chamas terá estado uma peça de roupa que caiu sobre uma vela durante uma discussão entre a referida mulher e o recepcionista do hotel, que se encontra internado em estado grave, e com quem ia passar regularmente a noite ao hotel.
O incêndio causou ao todo 24 mortos, dos quais 11 crianças.
No edifício de seis andares localizado no centro de Paris, nas traseiras das Galerias Lafayette, estavam alojados principalmente imigrantes de origem africana encaminhados para alojamentos provisórios pelos serviços sociais públicos e municipais.