Menor incentivado a automutilar-se terá apoio da escola
Lisboa, 21 Nov (Lusa) - O adolescente que terá sido incentivado pela Internet a automutilar-se vai receber apoio da escola, em Vale de Cambra, assegurou hoje a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que considerou o caso "dramático".
"No quadro da escola, de certeza que se tratará de dar apoio ao aluno", afirmou a ministra, sem concretizar o tipo de ajuda que será prestada ao jovem de 14 anos que terá praticado automutilação parcial, alegadamente incentivado por uma página alojada na rede social online Orkut, um site semelhante ao Hi5 e ao MySpace.
À margem da Comissão Parlamentar de Educação, onde hoje foi ouvida a pedido do PCP, Maria de Lurdes Rodrigues considerou que se trata de "um caso individual dramático", ressalvando que "não se podem fazer generalizações" a partir desta situação.
"Foi uma situação dramática com um adolescente. Felizmente, comprovou-se mais uma vez que a atenção dos pais e da escola é insubstituível. O que faz falta aos jovens é a atenção e a presença dos adultos", considerou.
O aluno da escola básica do 2º e 3º ciclos do Búzio, em Vale de Cambra, terá confidenciado a uma amiga que se sentia deprimido e que estaria a pensar suicidar-se, juntamente com outro colega.
A amiga contou à mãe, que comunicou o caso à PSP de Aveiro. Depois de investigar a situação, as autoridades policiais afirmaram terça-feira em comunicado que "um grupo de menores na casa dos 14 anos foi supostamente incentivado pelo conteúdo de um site da Internet que estimula a automutilação, cujos objectivos passariam ainda por um suicídio colectivo".
De acordo com a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Vale de Cambra, que terça-feira reuniu de urgência para avaliar a situação, o jovem "está bem", não havendo "conhecimento de outros casos" semelhantes.
"O menor encontra-se bem e está a ser acompanhado pela CPCJ em colaboração com outras entidades do meio", afirma, em comunicado, o presidente daquela comissão, que terça-feira efectuou uma visita domiciliária à família do aluno, juntamente com o procurador-adjunto do Ministério Público, que está a proceder às investigações.
JPB/PM.
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