Mensagens de ódio. GNR garante prevenção, sindicato da PSP questiona contexto

Mensagens de ódio. GNR garante prevenção, sindicato da PSP questiona contexto

A Guarda Nacional Republicana reagiu esta quinta-feira às notícias de “atos de discriminação e xenofobia demonstrados nas redes sociais” por membros das forças de segurança, recordando que “tem implementado o Plano de Prevenção de Manifestações de Discriminação”. Por sua vez, as estruturas sindicais da PSP manifestam estranheza face ao contexto.

RTP /
“Enquanto não limparem um ou dois políticos, não fazem nada...”, diz-se num "post" do grupo fechado Colegas GNR Dado Ruvic - Reuters

“Cumpre-me informar que a Guarda Nacional Republicana tem implementado o Plano de Prevenção de Manifestações de Discriminação nas Forças e Serviços de Segurança e que frequentemente realiza ações e iniciativas, à luz das coordenações mantidas em sede de grupo de trabalho constituído ao abrigo deste Plano, com representantes do MAI, das Forças e Serviços de Segurança, sob coordenação da Inspeção Geral da Administração Interna”, lê-se em comunicado da chefe da Divisão de Comunicação e Relações Públicas da Guarda, major Mafalda Gomes de Almeida.

“Para além do plano referido foram implementadas medidas corretivas a todo o dispositivo, nomeadamente a difusão de um normativo interno sobre boas práticas no âmbito da prevenção da discriminação, o investimento na formação e na qualificação dos militares da GNR nestas matérias nos Cursos de formação, especialização, promoção e no âmbito da formação contínua, a criação da Comissão para a Igualdade de Género e Não Discriminação na Guarda (CIGUARDA), a nomeação de uma Oficial de Direitos Humanos e as boas práticas incutidas ao nível da comunicação institucional quer interna que externa para as questões de género e discriminação”, aponta ainda o texto.

A GNR afiança, por último, que, “perante comportamentos dos seus militares que não se enquadrem com os direitos previstos constitucionalmente, contrários à lei e/ou que configurem uma violação dos deveres deontológicos inerentes à condição militar e policial”, atua “através da comunicação às autoridades competentes, nos termos da lei, e/ou disciplinarmente, apelando a todos a sua denúncia”.Um consórcio de jornalistas de investigação publicou na quarta-feira uma reportagem de Pedro Coelho, Filipe Teles, Cláudia Marques Santos e Paulo Pena na SIC, no Setenta e Quatro, no Expresso e no Público que mostra a utilização das redes sociais, por parte de efetivos das forças de segurança, para ações proibidas pela lei e pelos regulamentos internos.


O gabinete do ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, adiantou entretanto que a Inspeção-Geral da Administração Interna vai abrir um inquérito sobre as notícias que revelam mensagens nas redes sociais de teor discriminatório e a incitar ao ódio.
”Estas alegadas mensagens, que incluem juízos ofensivos da honra ou consideração de determinadas pessoas, são de extrema gravidade e justificam o caráter prioritário do inquérito agora determinado à IGAI”, reforçou a tutela.

Na reportagem em causa, são citadas publicações como “procura-se sniper com experiência em ministros e presidentes, políticos corruptos e gestores danosos” - texto acompanhado da imagem de um cano de espingarda que terá sido publicado no Facebook por um militar da GNR de Vendas Novas.

“Enquanto não limparem um ou dois políticos, não fazem nada...”, afirma um outro utilizador, identificado como militar da GNR de Setúbal, no grupo fechado Colegas GNR.

A investigação jornalística apurou que os efetivos da PSP e da GNR presumivelmente responsáveis por tais posts estão no ativo. E que “muitos deles usam o seu nome verdadeiro e os seus perfis pessoais para fazer ameaças e praticar uma longa lista de crimes públicos, bem como dezenas de infrações muito graves aos seus códigos de conduta e estatuto profissional”.
“Achamos estranho o contexto”
Por sua vez, ouvido pela agência Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia afirma estranhar o contexto da divulgação da reportagem. Ao mesmo tempo, sinaliza que aguardará pelo resultado dos inquéritos.

“Achamos estranho o contexto em que esta peça foi divulgada sendo facto que já foi gravada há um tempo a esta parte e quando estamos a falar de um contexto em que temos uma manifestação marcada para dia 24 e acabámos ontem à noite uma reunião com o senhor ministro relativamente à tabela salarial”, reagiu Paulo Santos.

“Achamos estranho, no entanto, pelo que vim a saber, a existência de uma lista com nomes de alguns elementos, de dirigentes da associação dos polícias cujo nome não faz sentido estar lista, porque apenas faziam parte de algumas plataformas e alguns espaços públicos das redes sociais. Não têm qualquer comentário xenófobo, racista”, acrescentou.

Segundo o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, estes elementos integram a lista por estarem naqueles espaços públicos e não por comentários: “Portanto, vamos avaliar e analisar e apoiar os colegas que pretendam apoio”.

“A ASPP tem mais de três décadas de intervenção sindical com os seus princípios e valores bem vincados, por isso, não há espaço para comportamentos que comprometam aquilo que é a dignidade da vida humana com comportamentos racistas, xenófobos totalmente incompatíveis com a missão policial. Acho que isto é clarinho como água como se diz em bom português”, completou.

c/ Lusa
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