Mercado do sexo - O domínio das mulheres

O mercado nacional de produtos relacionados com o sexo é alimentado sobretudo por mulheres, hoje mais desinibidas do que os homens, mas todos entram numa loja de produtos sexuais com o mesmo à vontade "que numa padaria".

Agência LUSA /

António Baptista, um dos principais investidores do ramo, é o dono de 13 sex-shop's do país, denominadas "Contranatura", a última inaugurada na semana passada, e dá emprego a mais de 50 pessoas.

O empresário foi pioneiro em Portugal na indústria do sexo e hoje visita feiras em todo o mundo, actualiza-se, investe, e procura, diz, o melhor e mais barato para os seus clientes, chegando a vender produtos mais baratos do que fazia há uma década.

António Baptista é o principal impulsionador e o presidente do primeiro Salão Erótico de Lisboa, a realizar na FIL, entre 30 de Junho e 03 de Julho, que está a ser organizado pelos espanhóis que criaram, há 13 anos em Barcelona, o Festival Erótico.

Em Lisboa, ao contrário de Barcelona, não haverá sessões de sexo ao vivo, mas não faltarão "shows eróticos", "streap-tease" ou "shows lésbicos e gays", além de stands para apresentação de produtos, desde filmes a "lingerie", de cremes de estimulação sexual a informação sobre doenças sexualmente transmissíveis.

Com bilhetes a 20 euros, 40 expositores já confirmados, diz António Baptista que o objectivo é atingir os 25 mil visitantes e fazer todos os anos um Salão Erótico em Lisboa.

E não quer acreditar que os portugueses são diferentes dos espanhóis e que, por pudor ou conservadorismo, não vão comparecer na FIL.

O empresário admite que o mercado do sexo atravessa hoje um momento difícil, porque a crise no país atinge todos os sectores, mas garante que não nota qualquer inibição das pessoas por entrarem numa "sex-shop", o que fazem como "se fossem a uma padaria".

Há 14 anos, quando abriu a primeira loja, na baixa de Lisboa, "durante um ano só entraram homens". Na altura, lembra, as mentalidades eram diferentes. Incluindo a dele, que optou por uma montra camuflada, envergonhada, bem diferente das actuais, abertas e bem explícitas.

E hoje a clientela também é diferente. "As mulheres são mais desinibidas, comprando os produtos de forma mais natural. Neste momento entram mais mulheres nas lojas do que homens", afirma.

"Entra-se nas lojas com uma naturalidade muito grande. As pessoas perguntam com muito à-vontade", diz António Baptista. E quanto à média de idades, acrescenta, não há, porque aparecem clientes desde os 18 aos 80 anos.

E que vai fazer uma mulher de 18 anos ou um homem de 50 a uma "sex-shop"? O mercado dos produtos para despedidas de solteiros/as e festas de aniversário está a crescer, mas depois também para comprar os cremes, os óleos de massagem, os vibradores e os produtos afrodisíacos.

Uma das "vedetas" das lojas "Contranatura" são agora os comprimidos "Vimex". António Baptista mostra-os: azuis como o Viagra e com efeitos semelhantes, ainda que muito mais baratos e sem provocar danos, garante.

Mas, além ainda dos preservativos, a grande massa de vendas é ainda os filmes. Eróticos e pornográficos, embora António Baptista prefira a frase "sexo explícito" ao termo pornográfico.

Num escritório onde estão também armazenados centenas de películas para todos os gostos o empresário diz que há filmes tão diferentes como diferentes são também os "fetiches" de cada um. E a Internet, afirma, em vez de lhe tirar clientes até lhe dá mais, porque os estimula.

"Nos filmes há uma clientela certa para as novidades. As pessoas ligam e perguntam se já chegou o último filme sobre certa actriz", conta, embora adiante que em Portugal não há uma produção de filmes de sexo explícito, havendo antes cinco distribuidoras do que se faz no estrangeiro.

Também as casas que exibem sexo ao vivo "foram decaindo", diz, concluindo que a indústria do sexo em Portugal se resume quase às lojas de produtos idênticos aos que vende.

E quanto a estas António Baptista fala ainda de outro sucesso, as "cabines", um conceito simples que consiste em pequenos gabinetes onde um euro dá para escolher e assistir a cinco minutos de filme, entre mais de 100 à escolha.

Os clientes são homens. A porta tranca-se por dentro, o ambiente é escuro, o sofá é confortável e não há adereços. Só toalhetes de papel e um caixote do lixo.


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