MIL satisfeito com veto e à espera actuação da maioria em conformidade
O porta-voz do Movimento Informação é Liberdade (MIL), que junta mais de 700 jornalistas contra a promulgação do Estatuto do Jornalista, afirmou-se "satisfeito" perante o veto político do Presidente da República àquele diploma.
"É um motivo de satisfação não só para os jornalistas mas para todos os que defendem o carácter democrático do Estado", disse à agência Lusa Mário Bettencourt Resendes.
Adiantando que os membros do MIL se reconhecem "nas reservas avançadas pelo Presidente da República", o porta-voz do movimento admitiu que "no regime sancionatório queríamos mais".
Perante a posição de Aníbal Cavaco Silva, o MIL espera "que [o partido da] maioria proceda em conformidade", modificando o Estatuto dos Jornalistas "em dois aspectos fundamentais: o sigilo profissional e a aplicação de sanções.
O Presidente da República decidiu hoje vetar politicamente o diploma que altera o Estatuto dos Jornalistas, solicitando à Assembleia da República (AR) uma nova apreciação do texto.
Em comunicado, Cavaco Silva refere que, "em obediência a um princípio de clareza da acção política", será "aconselhável que algumas das soluções normativas acolhidas naquele diploma sejam reponderadas por parte dos deputados à Assembleia da República".
Apreciação necessária para que "o Estatuto do Jornalista entre em vigor sem que em seu torno subsistam dúvidas, nomeadamente quanto a aspectos tão essenciais como a quebra do sigilo profissional, os requisitos de capacidade para o exercício da profissão e o regime sancionatório instituído".
De acordo com a Constituição da República Portuguesa, se o Parlamento confirmar o voto por maioria absoluta dos deputados em efectividade de funções (116 dos 230 parlamentares), o Presidente da República deverá promulgar o diploma no prazo de oito dias a contar da sua recepção.
Ou seja, se o PS decidir não alterar o texto vetado por Cavaco Silva, a sua maioria absoluta (os socialistas dispõem de 121 deputados) é suficiente para a aprovação do diploma, não sendo possível nessa altura novo veto presidencial.
O PS aprovou a 21 de Junho, sozinho, na Assembleia da República, o novo Estatuto do Jornalista, processo que se arrasta há mais de um ano, e que tem sido alvo de críticas por parte do Sindicato dos Jornalistas, da Confederação de Meios da Comunicação Social e de toda a oposição.