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Milhares foram vítimas de abusos de membros da Igreja Católica em Portugal
O relatório final da Comissão Independente que estudou crimes e abusos no seio da Igreja católica em Portugal conclui que houve milhares de crianças vítimas de membros desta confissão.
Foto: Manuel de Almeida - Lusa
O coordenador da Comissão Independente, Pedro Strecht, enaltece a coragem de quem decidiu quebrar o silêncio sobre estes crimes sexuais. A estrutura diz que estes números representam a ponta do icebergue.
Em conferência de imprensa, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, os elementos da comissão que estudou os abusos sexuais anunciaram também que foram enviados para o Ministério Público 25 denúncias. Um número reduzido devido à prescrição de muitos destes crimes, cometidos há décadas.
O antigo ministro da Justiça, Laborinho Lúcio, que também integra a Comissão Independente, defendeu mudanças na lei, para que os crimes de pedofilia possam ser levados à justiça. O coordenador da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica diz que é evidente o trauma entre as vítimas.
Pedro Strecht destaca também que a maioria dos abusadores eram padres e que muitas das vítimas esperam um pedido de desculpas por parte da Igreja. Os cinco distritos onde existiram mais denúncias de abusos foram Lisboa, Porto, Braga, Santarém e Leiria.
A maioria destes crimes sexuais ocorreu em seminários, colégios internos e instituições de acolhimento geridos pela Igreja, assim como em confessionários, na sacristia e em casas de padres.