Militares portugueses no Líbano em alerta

Militares portugueses no Líbano em alerta

Os militares portugueses em missão na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) estão em estado de alerta para o primeiro aniversário do fim da invasão israelita do país dos cedros no passado Verão, que se assinala no dia 14.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O tenente-coronel José Rodrigues dos Santos, comandante dos 141 soldados da Unidade de Engenharia-2 estacionada na base de Ubique, em Shamaa, no sector oeste do sul do Líbano, declarou no terreno à Agência Lusa que "o nível de alerta é médio alto (amarelo-laranja), com medidas adicionais no nível vermelho para movimentos no exterior do aquartelamento".

O comandante precisou que, a este nível, "os movimentos terão de incluir um mínimo de duas viaturas, nunca isoladas e evitando rotinas".

Rodrigues dos Santos adiantou que a tropa deverá "usar capacete, colete à prova de bala e levar a arma carregada".

O estado de prevenção teve início a 24 de Julho, quando uma viatura armadilhada estacionada à beira da estrada e accionada por controlo remoto explodiu matando seis soldados (três espanhóis e outros tantos voluntários colombianos) e ferindo mais dois além de destruir os blindados em que seguiam.

Anteriormente, a 16 de Junho, um engenho explosivo com temporizador colocado na berma da estrada deflagrou à passagem de duas viaturas da Polícia Militar de uma unidade da Tanzânia, mas não fez feridos.

O tenente-coronel Rodrigues dos Santos insistiu em que a FINUL - onde Portugal tem 146 efectivos - é um alvo dos terroristas, segundo confissões obtidas em interrogatório a combatentes (mujaidines) capturados pelo exército libanês no campo de refugiados de Nahr el-Bared (norte, na zona de Tripoli).

Os confrontos entre terroristas do grupo Fatah a-Islam, apoiados por mujaidines, e o exército libanês começaram no campo de refugiados palestinianos de Nahr el-Bared a 20 de Maio e já mataram mais de 200 pessoas, das quais 133 soldados libaneses, provocando 31.000 refugiaddos.

Tendo em conta a data crítica do primeiro aniversário do fim da invasão israelita do sul do Líbano - entre 12 de Julho e 14 de Agosto de 2006, com um saldo de mais de 1.200 mortos -, ao que acresce a "ameaça" decorrente da escolha parlamentar do novo Presidente da República a 27 de Setembro, o comandante da unidade portuguesa admitiu o prolongamento do estado de prevenção pelo menos até ao Outono, tudo dependendo do modo como decorrer o processo eleitoral e das ordens do chefe da FINUL, o general italiano Cláudio Graziano.

A Unidade de Engenharia-2, que em Maio rendeu os dois primeiros pelotões portugueses da mesma Brigada Mecanizada enviados em Novembro de 2006, terminará a sua missão semestral também em Novembro.

A ofensiva israelita do ano passado, lançada na sequência do sequestro de dois dos seus soldados pelo Hezbollah - Partido de Deus (oposição), apoiado pela Síria e Irão -, deu-se depois de os xiitas radicais preencherem no sul do Líbano o vazio deixado pela retirada do exército judaico em 2000, que ocupara a zona durante a operação "Paz na Galileia", em 1982.

Em pleno coração da comunidade xiita libanesa, os militares portugueses - que de resto mantêm com ela "boas relações", elogiadas pelo próprio ministro da Defesa, Elias Murr - sentem uma "preocupação" adicional com os 12 campos de refugiados palestinianos no Líbano, segundo o tenente-coronel Rodrigues dos Santos, dos quais "o mais problemático" é Nahr el-Bared.

O comandante disse ter recebido informações de que "elementos (hostis) do campo de Ein el-Hilweh, próximo de Saída (Sídon), se transferiram mais para sul", precisamente para onde está a base de Ubique.

Embora esta base seja um "bunker" muito bem protegido e de as forças portuguesas não fazerem patrulhas, ainda que se desloquem no terreno, com frequência até ao vizinho quartel-general da FINUL em Naqoura (costa), Rodrigues dos Santos não escondeu o receio de minas, granadas, bombas, viaturas armadilhadas e "rockets" usados por seis grupos terroristas a operar no Líbano.

Mas o comandante deixou uma palavra final de optimismo: a Unidade de Engenharia-2 tem do seu lado "o apoio da população local e o elevado moral das tropas".

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