Militares portugueses partiram "motivados" rumo ao Kosovo

Os 58 militares que integram o último grupo do 2º Batalhão de Infantaria Mecanizada do Exército partiram hoje de Figo Maduro, Lisboa, rumo ao Kosovo "motivados" e "preparados para servir o comando da força internacional da NATO".

Agência LUSA /

Os militares, sob o comando do tenente-coronel Paulo Emanuel Maia Pereira, vão juntar-se aos dois grupos do 2º Batalhão de Infantaria Mecanizado (2º BIMec) que partiram no dia 11 e na quarta-feira passada.

O 2º Batalhão de Infantaria Mecanizado, constituído por 290 militares, dos quais 25 mulheres, vai render o 1º Batalhão de Infantaria Pára-Quedista, que cumpriu missão no Kosovo nos últimos seis meses.

A partida dos 56 homens e duas mulheres estava marcada para as 10:00 mas por questões técnicas foi atrasada para as 11:30, no aeroporto militar de Figo Maduro.

Em declarações à agência Lusa um oficial do Exército adiantou que os militares estão preparados e motivados para a missão, que terá uma duração de seis meses.

"Somos o grupo de reserva da KFOR. No terreno vamos estar preparados para actuar em qualquer ponto do Kosovo à ordem do comandante da KFOR", disse.

No entender deste oficial, os riscos desta missão são "os riscos inerentes à profissão de militar".

"Não estamos à espera de correr grandes riscos. Claro que corremos sempre o risco de ter um acidente com uma viatura mas isso pode acontecer em qualquer lugar", frisou.

Os militares, precisou o militar, foram sujeitos a um treino intensivo nos últimos seis meses para poderem estar aptos a lidar com qualquer cenário.

"Estamos preparados para cenários como controlo de tumultos, patrulhamentos de estradas ou até fazer protecção de mosteiros por exemplo", disse ainda o militar.

Motivada para a missão está também a soldado Daniela Azevedo, de 22 anos, que vai estar encarregue de "matar a fome" ao contingente de militares portugueses com comida típica do país.

"Estou muito entusiasmada", disse a soldado que vai estar encarregue da cozinha, acrescentando no entanto "sentir alguma ansiedade por ser a primeira vez que sai do país em missão".

Para a soldado Daniela Azevedo, o que vai custar mais são as saudades que vai ter da família.

"O afastamento da família custa sempre mas eles ficaram mais descansados por saber que vou estar na cozinha e não nas estradas", contou.

Para alimentar o contingente português, Daniela Azevedo promete cozinhar comida tradicional portuguesa, "a melhor de todas".

A realização profissional e a vontade de ajudar um país foram os motivos que levaram o alferes Santos, de 26 anos, a integrar esta missão, a primeira no estrangeiro.

"Partimos serenos e sem medo do que vamos encontrar porque os perigos são controlados e o ambiente por lá é calmo neste momento", adiantou.

Em declarações à Lusa, o primeiro-sargento Lourenço, de 28 anos, um repetente nestas "andanças", referiu estar calmo e motivado para esta missão que não considera "ser de grande risco como são os casos do Iraque ou do Afeganistão".

"Fazemos parte da reserva táctica da KFOR. Vamos estar ao dispor da KFOR como por exemplo no controlo de tumultos", disse o primeiro-sargento que em 2004 esteve seis meses na Bósnia.

No que diz respeito à família, o primeiro-sargento diz que esta "já está habituada e mentalizada para este tipo de situações".

O batalhão português ficará instalado na base de Slim Line, nos arredores de Pristina, mas as características da missão alargam a todo o território do Kosovo a área de intervenção dos militares portugueses.

O Kosovo, província do Sul da Sérvia, foi colocado sob controlo da KFOR (Kosovo Force), força liderada pela NATO, e administração da ONU (UNMIK) na sequência da intervenção da NATO na Primavera de 1999.

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