Ministério Público acusa Alberto Coelho e mais 72 arguidos no caso "Tempestade Perfeita"
O Ministério Público acusou 73 arguidos no processo relacionado com adjudicações de obras pela Direção-Geral dos Recursos da Defesa Nacional (DGRDN), entre os quais o ex-diretor Alberto Coelho, por corrupção passiva, branqueamento, peculato e falsificação de documento.
A acusação relativa ao processo "Tempestade Perfeita", a que a RTP teve acesso, defende ainda que Alberto Coelho seja condenado a pagar ao Estado mais de 86 mil euros, que correspondem ao que consideram ter sido as vantagens obtidas de forma ilícita.
Além de Alberto Coelho, o MP acusou também Paulo Morais Branco, ex-diretor financeiro da DGRDN, de vários crimes de corrupção passiva, branqueamento e falsificação de documento e pediu o pagamento de 415 mil euros.
Os mesmos crimes foram imputados a Francisco Marques, antigo diretor dos serviços de infraestrutura e património, a quem é igualmente pedida a condenação ao pagamento de quase 272 mil euros.
No âmbito deste inquérito foram acusadas 43 pessoas e 30 empresas, estando em causa procedimentos de contratação pública de serviços e empreitadas de obras, nos quais a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional interveio como entidade adjudicante, entre os quais custos na requalificação do antigo Hospital Militar de Belém.
Segundo uma nota do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP) "nessas adjudicações, os arguidos que exerciam funções públicas utilizaram tais funções para a obtenção de vantagens indevidas para si ou para terceiros. Vantagens que os respetivos beneficiários, posteriormente, dissimularam."Tempestade perfeita" já fez uma baixa no GovernoA operação foi desencadeada em dezembro do ano passado, quando a PJ adiantou estar em curso uma “operação policial visando a execução de 59 mandados de busca, dos quais 29 buscas domiciliárias e 30 buscas não domiciliárias”.
O objetivo da operação foi a “recolha de elementos probatórios complementares e relacionados com suspeitas de práticas criminosas no exercício de funções públicas, sob investigação”.
Entre os seis detidos na altura estava Alberto Coelho, que liderou a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional durante seis anos. Dias depois, todos os arguidos saíram em liberdade.
As obras no Hospital Militar em Lisboa foram um dos negócios sob suspeita. A ação levada a cabo em dezembro passado desenrolou-se em Lisboa, Porto, Alter do Chão, Almada e Comporta.
Já em julho deste ano, a Polícia Judiciária anunciou a constituição de um arguido no âmbito da Operação: Marco Capitão Ferreira, então secretário de Estado da Defesa Nacional, que acabou por ser exonerado.
A constituição de Capitão Ferreira como arguido foi conhecida no mesmo dia em que investigadores da Polícia Judiciária e do Ministério Público procederam a buscas no Ministério da Defesa, para "averiguações a atos praticados entre 2018 e 2021".
c/ Lusa