Ministra da Educação acusa PCP de ter visão "conservadora e mesmo reaccionária" sobre programa
Guimarães, 12 Jan (Lusa) - A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, acusou hoje, em Guimarães, o PCP de ter uma atitude "conservadora e mesmo reaccionária" sobre o programa de formação "Novas Oportunidades".
"É lamentável que um partido como o PCP não consiga ver as vantagens de um programa de formação de pessoas que corresponde a uma necessidade vital do país", afirmou a ministra, rejeitando as críticas que têm sido feitas pelos comunistas e outras entidades sobre a alegada falta de qualidade do programa.
A governante falava aos jornalistas na Escola Secundária das Caldas das Taipas, no final da cerimónia de entrega de diplomas a 69 pessoas que concluíram os cursos tecnológicos ali ministrados.
O acto contou com as presenças do Governador Civil de Braga, Fernando Moniz, da responsável da Direcção regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, e dos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal de Guimarães, António Magalhães e Carlos Remísio, respectivamente.
A cerimónia incluiu a assinatura de protocolos entre o Centro de Novas Oportunidades e empresas, associações comerciais e de desenvolvimento local e agrupamentos de escolas.
Maria de Lurdes Rodrigues disse que "não há razão nenhuma para haver desconfiança sobre a validade do programa", sustentando que "a comissão externa de avaliação, que será presidida pelo ex-ministro Roberto Carneiro, fará a sua avaliação, quer do ponto de vista processual quer dos seus resultados sociais".
"A melhor forma de responder às críticas, algumas injustas e elitistas, é continuar a trabalhar com profissionalismo para alargar o programa a mais portugueses", contrapôs, lembrando que as "Novas Oportunidades" registaram já a adesão de 350 mil pessoas.
A ministra destacou que "a qualidade do sistema é garantido pelo profissionalismo dos seus técnicos e professores", e rejeitou a necessidade de ser criado um "Observatório" - proposto por alguns críticos - sublinhando que "a sua avaliação será feita nos mesmos moldes que se aplicam a outros sistemas de ensino ou formação".
Lembrou, por outro lado, que o programa se dirige a 2,5 milhões de portugueses, metade da população activa que não tem o 9.º ou o 12.º ano, para dizer que "vive de uma grande generosidade, quer a dos profissionais que o asseguram, quer dos portugueses que a ele se juntaram em horário pós-laboral, para completar a sua formação".
"O problema não é só o das gerações mais antigas que apenas conseguiram fazer a quarta classe, ele abrange, também, 500 mil jovens, com menos de 24 anos de idade, que não acabaram o 6º, o 9º ou o 12º ano de escolaridade", assinalou.
A governante mostrou-se particularmente sensibilizada com o depoimento de alguns cidadãos que receberam o diploma.
"Estas pessoas que querem melhorar a sua formação, serão, em casa e no emprego, as melhores propagandistas do programa, chamando outras que porventura ainda não se tenham decidido", referiu.
"O Novas oportunidades deixou de ser um programa do governo, para ser uma iniciativa de todo o país, que é compreendida e aceite pela maioria dos cidadãos", acentuou.