Ministra dos Refugiados visita Lisboa a 26 de Outubro
A ministra dos Refugiados iraquiana, Pascale Icho Warda, que tutela a área central da ajuda portuguesa à reconstrução do Iraque, visita Portugal no final de Outubro, anunciou hoje em Lisboa o chefe da diplomacia portuguesa, António Monteiro.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o encontro entre os dois ministros está marcado para 26 de Outubro.
Para António Monteiro, esta visita é mais uma demonstração de que o governo iraquiano considera a sua relação com Portugal prioritária, como o encontro da semana passada entre o primeiro- ministro português, Pedro Santana Lopes, e o seu homólogo iraquiano, Iyad Allawi, em Nova Iorque.
Na agenda da ministra iraquiana em Lisboa vão estar, segundo António Monteiro, o ponto de situação da aplicação da ajuda portuguesa nesta área e uma avaliação da possibilidade de futuras ajudas.
A visita de Pascale Icho Warda realiza-se cerca de oito meses depois da do seu antecessor na pasta, Mohammed al-Otbee, que assinou em Lisboa um protocolo de cooperação para o investimento dos 500 mil euros que o governo português destinou ao Ministério dos Refugiados iraquiano.
Ficou então definido que essa verba seria investida na criação de quatro centros de apoio aos refugiados e no financiamento da missão do conselheiro especial da Autoridade Provisória da Coligação - extinta a 30 de Junho, quando da transferência da soberania para o governo interino iraquiano -, José Lamego, que teve nomeadamente a seu cargo a estruturação do Ministério dos Refugiados.
"É do interesse de Portugal (ajudar à estabilização do Iraque) e vamos continuar a fazê-lo, dentro das nossas possibilidades e sempre de acordo com o governo iraquiano", disse António Monteiro em declarações aos jornalistas à margem de uma conferência em Lisboa.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português participou hoje na abertura da conferência "Os Estados Unidos e a Ordem Internacional", organizada pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento.
Na sua intervenção, Monteiro reiterou ser de interesse vital para Portugal manter uma relação privilegiada com os Estados Unidos, até porque as relações entre a Europa e os Estados Unidos continuam a traduzir-se em "benefícios substanciais" para ambas as partes.
"De um lado e do outro do Atlântico defendemos os mesmos princípios de paz, de liberdade e de democracia; temos em comum valores civilizacionais e partilhamos uma vastidão de interesses mútuos (Ó) Aquilo que nos une é, sem dúvida, mais forte do que o que, eventualmente, nos possa separar", declarou.
Defendeu, neste contexto, que na questão do desenvolvimento das capacidades europeias de defesa, deve haver complementaridade entre a União Europeia e a NATO para evitar duplicações desnecessárias.
"Portugal é um país de centralidade atlântica, simultaneamente europeu e atlântico. Como tal, é dos que mais tem a ganhar com a complementaridade entre a UE e a NATO e mais a perder com uma visão concorrencial", declarou.