Ministra rejeita recuar no encerramento de algumas escolas
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, rejeitou hoje, em Santo Tirso, a possibilidade de alterar qualquer decisão tomada no âmbito da reorganização da rede do ensino básico.
"Não há nada que indique que seja necessário voltar atrás com decisões que tenham sido tomadas", disse a ministra, reagindo ao apelo da Confederação Nacional das Associação de Pais (Confap) de adiar por um ano o encerramento de algumas escolas.
Em comunicado divulgado na quarta-feira, a Confap alegou que "muitas escolas de acolhimento não estão preparadas para receber os alunos" já neste ano lectivo e que as condições de transferência das crianças têm deixado "perplexas e indignadas" muitas associações de pais em todo o país.
Segundo Maria de Lurdes Rodrigues, os casos identificados pela Confap são situações "pontuais e locais" que os serviços do Ministério, em colaboração com as escolas e as autarquias, "estão a procurar resolver".
"Não temos informação que justifique neste momento qualquer alteração nas decisões tomadas", frisou.
A ministra falava à margem de uma visita à Escola Secundária Tomás Pelayo, em Santo Tirso, para conhecer os objectivos atingidos por este estabelecimento de ensino a nível dos cursos profissionalizantes.
O encerramento de 1.460 estabelecimentos da antiga primária foi decidido pelo Governo e pelos municípios pelo facto de terem poucos alunos, níveis elevados de insucesso ou más condições.
O fecho implica a transferência de crianças para cerca de 800 escolas de acolhimento, uma medida que deverá custar ao Estado mais de 12 milhões de euros, destinados a pagar obras nos estabelecimentos de ensino que vão receber os alunos, assim como o transporte diário dos estudantes.
"As estruturas locais do movimento associativo de pais deveriam ter sido auscultadas durante o processo de fecho dos estabelecimentos de ensino", considera a Confap, criticando o facto de alguns encerramentos não terem tido "o acordo dos Conselhos Municipais de Educação".
A Confederação mostra-se ainda disponível para acompanhar durante o ano lectivo "o processo de criação das condições efectivas para o encerramento destas escolas que permita o consenso de todos os intervenientes na racionalização dos recursos da rede educativa nos territórios afectados por estas situações".