Ministro da Agricultura entrega primeira Bandeira Floresta Verde
A primeira Bandeira Floresta Verde do país foi hoje entregue pelo Ministro da Agricultura, Costa Neves, à Associação de Produtores Florestais de Paul, concelho da Covilhã, em reconhecimento pelo trabalho desenvolvido em prol da preservação e desenvolvimento do sector florestal.
O governante deslocou-se àquela vila para entregar a distinção, defendendo a continuidade das políticas no sector considerando que "deve-se separar a florestas das circunstâncias políticas que, aqui, têm de estar à parte, para que na floresta não aconteça o que tem acontecido em demasiadas vezes noutros sectores".
"Nesta questão da floresta, estamos a perder anos e se perdermos anos estamos a perder uma imensa riqueza, porque Portugal sem floresta, sem agricultura no seu interior, é um balão vazio", afirmou.
Acrescentou que, "para que não haja um incêndio, antes de se pensar em meios de combate ao fogo, temos que pensar em gerir bem a floresta, em ordená-la, limpá-la, trabalhá-la, meter infra-estruturas e assegurar a colaboração entre os proprietários entre si e com as entidades públicas".
O Ministro realçou a importância das Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia neste processo, o envolvimento de todos os agentes, a organização para que os referidos resultados sejam efectivamente alcançados.
"Se em qualquer momento este esforço for interrompido, está-se a cometer um crime, pode haver acertos, em função da experiência, dos conhecimentos que se adquirem e da evolução natural das coisas, de novos equipamentos, mas este programa tem de ser uma prioridade de todos os Governos nos próximos 15 a 20 anos", afirmou.
Entende, por isso, que deve haver "continuidade e levar-se a efeito efectivamente este projecto, um trabalho que deve ser preservado para além das circunstâncias políticas".
Costa Neves apelou aos autarcas, aos técnicos e proprietários para que não deixem parar "o esforço que foi começado", realçando que no caso da Associação de Produtores Florestais de Paul o trabalho começou há dez anos, mas que "em termos de país começou há apenas dois anos, pelo que é fundamental que este esforço continue".
Sobre a Bandeira Floresta Verde hoje pela primeira vez içada no perímetro florestal do Paul, o Ministro da Agricultura disse ser uma distinção e que "não se pretende banalizar a Bandeira Verde, mas que seja uma distinção".
Como condicionantes, referiu a necessidade de as associações que se candidatem sejam "associações com fins muito claramente prosseguidos, que tenham provas dadas, que reúnam um número significativo de produtores, que tenham apoio técnico e que tenham um trabalho a apresentar como é o caso da Associação de Produtores Florestais de Paul, com uma floresta que seja protegida, trabalhada e cuidada".
A campanha da Bandeira Floresta Verde é uma iniciativa do Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas com apoio de todos os parceiros, com o objectivo de "elevar o grau de consciencialização das cidadãos em geral e dos decisores em particular, para a necessidade de se preservar e valorizar a floresta e ainda incentivar a realização de acções conducentes à resolução dos problemas nela existentes".
É ainda "um símbolo de qualidade florestal atribuído aos espaços florestais que se candidatem e que cumpram um conjunto de práticas destinadas a preservar e valorizar a sua floresta", tendo em conta preocupações de ordem técnica, social e ambiental".
Inês Teixeira, da Federação dos Produtores Florestais de Portugal, que envolve 52 associações, disse à agência Lusa que a Associação de Produtores Florestais de Paul é "modelo" a nível nacional, com cerca de 400 sócios, que exerce acção numa área de 50 mil hectares localizados principalmente na zona sul do concelho da Covilhã, incluindo cerca de três mil hectares já florestados, depois de trabalhos de agrupamento.
O presidente da associação, António Covita, realçou a importância da floresta na economia regional, nomeadamente na zona da Beira Interior, e salientou a participação da Associação de Produtores Florestais de Paul, Universidade de Évora, organizações vizinhas de Paul e Parque Natural da Serra da Estrela no desenvolvimento do programa "Life" que trata de acções florestais numa área de 500 hectares da Serra da Estrela.