Ministro da Defesa participa em França nas cerimónias evocativas da Batalha de La Lys

Ministro da Defesa participa em França nas cerimónias evocativas da Batalha de La Lys

Lisboa, 9 Abr (Lusa) - O Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, parte sexta-feira para Lille, em França, para assistir às cerimónias evocativas do 90º aniversário da Batalha de La Lys e da participação militar portuguesa na I Guerra Mundial.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. / Adicionar como fonte informativa

Severiano Teixeira, acompanhado pelo Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, General Valença Pinto, participa nesse dia num colóquio dedicado à Batalha de La Lys, na Universidade de Lille, com a intervenção de historiadores portugueses e franceses.

No sábado, a delegação portuguesa participa nas cerimónias militares no cemitério militar português, em Richebourg, com homenagem junto do Monumento aos Mortos em La Couture.

Posteriormente, em La Peylouse - Saint Venant, decorrerá uma cerimónia onde será descerrada uma placa comemorativa naquele que foi o Quartel General do Corpo Expedicionário Português (CEP).

A Batalha de La Lys marca a participação do corpo expedicionário português na Primeira Guerra Mundial (ao lado da França, contra a Alemanha) em 1918. Os portugueses sofreram uma pesada derrota na Batalha de La Lys, neste conflito bélico mundial em que participaram com cerca de 55 mil homens.

Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal em Março de 1916, foi decido enviar para França uma força portuguesa constituída por uma força de infantaria, apoiada por um grupo de artilharia (Corpo de Artilharia Portuguesa), num total de 30 mil homens.

Esta decisão teve razões militares mas também políticas que estavam ligadas à necessidade de garantir para Portugal um lugar na mesa dos vencedores da guerra, de forma a assegurar a continuação do império, o qual era avidamente olhado pela maior parte das potências europeias.

As primeiras tropas portuguesas chegam à Flandres a 8 de Fevereiro de 1917 e, logo a 4 de Abril, morria em combate nas trincheiras o primeiro militar português, António Gonçalves Curado.

A 17 de Outubro de 1917, toma posições o Corpo Português de Artilharia Pesada, com 10 baterias de artilharia, representando o apoio português nos sectores franceses.

A 28 de Outubro de 1917, Portugal perde (por necessidades britânicas) o apoio dos últimos navios que serviam para reforçar o CEP e efectuar a ligação com Portugal. A partir desta data deixa de ser possível efectuar reforços de monta. O total de 30.000 homens previsto, não será atingido.

Entre meados de Janeiro e meados de Fevereiro ocorre em Portugal uma guerra civil, com a instauração da monarquia no Porto. A instabilidade em todo o país é generalizada.

Só em 16 de Março de 1918, a artilharia pesada portuguesa entra em acção. É entretanto decidido transferir a artilharia pesada para o CEP, para apoio das forças portuguesas. Essa transferência não chegará a ocorrer.

Na Primavera de 1918, o CEP (Corpo Expedicionário Português) encontrava-se desmoralizado, com os soldados há demasiado tempo na frente de combate. Estava instalado um enorme mal-estar entre as fileiras porque parte dos comandos das tropas portuguesas se encontrava comodamente instalado em Paris, enquanto os escalões inferiores, sargentos e praças viviam nas trincheiras meses seguidos sem que fossem regularmente substituídos.

Tornando-se inviável o envio de mais tropas desde Portugal, o que permitiria render parte das forças, a solução foi deixar aqueles que se encontravam no local, sem possibilidade de substituição.

Em Abril de 1918, o CEP encontrava-se estacionado numa região relativamente secundária e era constituído por duas divisões (às quais faltavam efectivos). A 2ª Divisão portuguesa, tinha ocupado posições nas primeiras linhas (a frente defendida pelo CEP tinha cerca de 12 Km), rendendo a 1ª Divisão.

A situação era conhecida dos comandos britânicos que, conhecedor da situação e de que era possível um ataque alemão no sector tinham dado ordens para a retirada também da 2ª Divisão que seria substituída pela 50ª Divisão britânica. As ordens eram para retirar exactamente a 9 de Abril, o dia em que começou o ataque de grande envergadura alemão, apanhando as forças portuguesas numa posição completamente desfavorável.

Com a ofensiva "Georgette", integrando 50 mil soldados alemães, montada por Erich von Ludendorff, os portugueses acabaram por sofrer uma derrota esmagadora na Batalha de La Lys (sector de Ypres), em 9 de Abril de 1918, logo após a derrota do Exército Britânico em Arras.

Nesse dia, o Corpo Expedicionário Português sofreu cerca de 7.500 baixas, com um número ainda mais elevado de prisioneiros.

SRS.


PUB