País
Ministro da Educação considera que redução de professores é “inevitável”
Nuno Crato admite que “este ano o sistema absorveu menos” professores – cerca de cinco mil relativamente a 2011 –, mas considera que o cenário é “inevitável” dado o número decrescente de alunos. Em entrevista ao semanário Sol, o ministro da Educação admite que as contratações continuarão “muito limitadas” nesta legislatura e na próxima e acredita que nem haverá contestação nas ruas. Contudo, a FNE garante que “se houver medidas contra os interesses e direitos essenciais dos professores”, os protestos seguirão mesmo esse caminho.
No início do mês, o Ministério da Educação anunciou que dos 51.209 candidatos sem vínculo à Função Pública que se apresentaram ao concurso para contratação inicial ou renovação do contrato, apenas ficaram colocados 7.600 docentes – ou seja, menos 5.147 professores face ao ano letivo passado, em que entraram 12.747 professores nesta fase.Em entrevista publicada esta sexta-feira no semanário Sol, Nuno Crato reconhece que “este ano o sistema absorveu menos” docentes e que “houve muitos candidatos a professores que não ficaram colocados”. Ao todo, 40 mil professores ficaram sem lugar nas escolas, mais cinco mil do que no ano lectivo anterior, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério na semana passada.
Contudo, apesar de considerar a situação “humanamente preocupante”, o ministro defende que “é algo de inevitável” e que se manterá nos próximos anos. “No futuro imediato vamos continuar a assistir a necessidades muito limitadas de contratação”, que se estenderão por “esta legislatura e na próxima”.
“Faremos apenas as contratações estritamente necessárias. Nem o contribuinte português poderia entender uma coisa diferente.”
Segundo o ministro, “o que se está a passar é o resultado de várias coisas” como “a redução da população escolar”, que caiu cerca de 14 por cento nos últimos anos (menos 200 mil alunos). “A natalidade diminuiu, o número de estudantes diminuiu, daqui a quatro anos vai diminuir ainda mais. E nós temos um sistema que em muitos aspectos é muito pouco eficiente”.
Ainda assim, o tutelar da pasta da Educação adianta que o sistema será alvo de uma reavaliação a partir deste mês e que pretende dar uma "vinculação extraordinária a "professores que correspondem a necessidades efetivas dos sistema e não a necessidades transitórias". Para Nuno Crato, o problema é “governar com as dificuldades financeiras que temos”, insistindo que o sistema público de educação “tem de ser sustentável”.
“Como é que eu gostaria daqui a alguns anos de olhar para mim mesmo? Como alguém que pôs em prática algumas medidas que melhoraram a Educação no sentido real, de as pessoas saberem mais e de estarem mais preparadas para enfrentar a vida”.
“Vamos ter de racionalizar muito este sistema ao mesmo tempo que o melhoramos”, defende, avançando que o importante “é dar mais recursos [mas] com critérios”, ao contrário do que se passou durante muitos anos.
Por isso, Crato acredita que não sofrerá a mesma contestação que teve Maria de Lurdes Rodrigues. “Creio que existe um entendimento por parte dos professores e por parte dos diretores” de que o ministério está a "trabalhar para melhorar a Educação em Portugal”, colocando a tónica no conhecimento e numa maior exigência curricular.
FNE contesta redução de professores justificada por diminuição de alunos
O secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE) defende que Portugal precisa de investir na formação dos adultos e dos alunos mais desfavorecidos, discordando por isso que a diminuição do número de alunos sirva de justificatória para contratar menos professores.
De acordo com João Dias da Silva, “Portugal tem de fazer um esforço muito grande para a melhoria das qualificações dos portugueses, quer ao nível da população adulta - precisamos de qualificação escolar e de qualificação profissional de muita população adulta -, quer para investir em ações que visem promover o sucesso de alunos que são provenientes de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos".
“O recurso à luta por parte das organizações sindicais faz-se quando não se encontra do outro lado capacidade de diálogo, procura de consensos, procura de soluções equilibradas e respeito por aqueles que são os profissionais de cada setor", afirmou João Dias da Silva à Lusa.
Em entrevista à Lusa, o líder da FNE diz que tal como Nuno Crato também prefere que “as soluções sejam encontradas sem necessidade da contestação”, mas avança que "se não houver valorização, se houver medidas que vão contra os interesses e os direitos essenciais dos professores e dos trabalhadores de apoio educativo, é evidente que o senhor ministro e o Governo terão contestação".
Contudo, apesar de considerar a situação “humanamente preocupante”, o ministro defende que “é algo de inevitável” e que se manterá nos próximos anos. “No futuro imediato vamos continuar a assistir a necessidades muito limitadas de contratação”, que se estenderão por “esta legislatura e na próxima”.
“Faremos apenas as contratações estritamente necessárias. Nem o contribuinte português poderia entender uma coisa diferente.”
Segundo o ministro, “o que se está a passar é o resultado de várias coisas” como “a redução da população escolar”, que caiu cerca de 14 por cento nos últimos anos (menos 200 mil alunos). “A natalidade diminuiu, o número de estudantes diminuiu, daqui a quatro anos vai diminuir ainda mais. E nós temos um sistema que em muitos aspectos é muito pouco eficiente”.
Ainda assim, o tutelar da pasta da Educação adianta que o sistema será alvo de uma reavaliação a partir deste mês e que pretende dar uma "vinculação extraordinária a "professores que correspondem a necessidades efetivas dos sistema e não a necessidades transitórias". Para Nuno Crato, o problema é “governar com as dificuldades financeiras que temos”, insistindo que o sistema público de educação “tem de ser sustentável”.
“Como é que eu gostaria daqui a alguns anos de olhar para mim mesmo? Como alguém que pôs em prática algumas medidas que melhoraram a Educação no sentido real, de as pessoas saberem mais e de estarem mais preparadas para enfrentar a vida”.
“Vamos ter de racionalizar muito este sistema ao mesmo tempo que o melhoramos”, defende, avançando que o importante “é dar mais recursos [mas] com critérios”, ao contrário do que se passou durante muitos anos.
Por isso, Crato acredita que não sofrerá a mesma contestação que teve Maria de Lurdes Rodrigues. “Creio que existe um entendimento por parte dos professores e por parte dos diretores” de que o ministério está a "trabalhar para melhorar a Educação em Portugal”, colocando a tónica no conhecimento e numa maior exigência curricular.
FNE contesta redução de professores justificada por diminuição de alunos
O secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE) defende que Portugal precisa de investir na formação dos adultos e dos alunos mais desfavorecidos, discordando por isso que a diminuição do número de alunos sirva de justificatória para contratar menos professores.
De acordo com João Dias da Silva, “Portugal tem de fazer um esforço muito grande para a melhoria das qualificações dos portugueses, quer ao nível da população adulta - precisamos de qualificação escolar e de qualificação profissional de muita população adulta -, quer para investir em ações que visem promover o sucesso de alunos que são provenientes de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos".
“O recurso à luta por parte das organizações sindicais faz-se quando não se encontra do outro lado capacidade de diálogo, procura de consensos, procura de soluções equilibradas e respeito por aqueles que são os profissionais de cada setor", afirmou João Dias da Silva à Lusa.
Em entrevista à Lusa, o líder da FNE diz que tal como Nuno Crato também prefere que “as soluções sejam encontradas sem necessidade da contestação”, mas avança que "se não houver valorização, se houver medidas que vão contra os interesses e os direitos essenciais dos professores e dos trabalhadores de apoio educativo, é evidente que o senhor ministro e o Governo terão contestação".