Ministro vai analisar "elevação" de S. Teotónio a hospital central
O ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, anunciou hoje que vai analisar a pretensão do Hospital de S.
Teotónio SA, de Viseu, de ser "promovido" da categoria de hospital distrital à de hospital central.
"É um grande hospital, tem 630 camas, uma alta diferenciação e profissionais muito qualificados. É algo que vamos ponderar e muito brevemente teremos uma decisão quando a esse aspecto", disse aos jornalistas, no final de uma cerimónia evocativa da acreditação total do Hospital S. Teotónio pelo King+s Fund Health Quality Service (fundação britânica empenhada na melhoria das condições de saúde).
O repto para a reclassificação foi lançado hoje pelo presidente do conselho de administração daquela unidade de Saúde, Ermida Rebelo, que se mostrou esperançado de que, futuramente, "o Hospital de S. Teotónio SA seja o primeiro central do interior".
Segundo Ermida Rebelo, trata-se de uma unidade que, no âmbito da rede de referenciação hospitalar, recebe doentes do Hospital Sousa Martins (Guarda), do Hospital Distrital de Lamego, do Hospital de Nossa Senhora da Anunciação (Seia) e do Hospital Cândido de Figueiredo (Tondela), dos distritos de Viseu e Guarda, que corresponde a uma população aproximada de 500 mil habitantes.
"Ao analisarmos outras unidades hospitalares, classificadas como hospitais centrais e com as quais mais nos identificamos, designadamente o Hospital de São Marcos (Braga), a Norte, e o Hospital Garcia da Horta (Almada), a Sul, são evidentes as analogias, não se vislumbrando diferenciação para posicionamento desigual", justificou.
Ermida Rebelo referiu que "mais desencanto se regista quando a avaliação é tida com o Centro Hospitalar de Cascais".
Na opinião do responsável, "não faz sentido que esteja classificado como os hospitais de Lamego, Guarda e Oliveira de Azeméis", frisando que o S. Teotónio tem actualmente "um dos melhores serviços de cardiologia do país".
"É uma questão de justiça", considerou, em declarações aos jornalistas, acrescentando que a reclassificação traria vantagens em termos de financiamento e de poder de atracção de profissionais, porque "é mais gratificante para os profissionais trabalharem num hospital central".
Segundo Ermida Rebelo, o que está em causa é apenas "uma alteração de portaria", uma vez que a reclassificação não implicaria "nem mais um médico ou obras".
O ministro, por seu lado, sublinhou que o Hospital de S.
Teotónio "é um grande hospital em número de camas, tem profissionais de grande diferenciação", mas tem de se ter em atenção a referenciação.
"Tudo isto funciona em rede, com critérios objectivos da Direcção-Geral de Saúde. É isso que vamos analisar. Foi-me posto hoje o problema, não tenho uma resposta imediata", referiu.
O governante confirmou que "o hospital tem índices de desempenho muito elevados, até no contexto dos hospitais SA", situando- se normalmente "entre os 10 primeiros" na classificação feita mensalmente.
"Uma coisa é a gestão, outra coisa são os critérios clínicos de referenciação sobre os quais tem de ser a Direcção-Geral de Saúde a pronunciar-se. É um aspecto técnico, que não deve estar ao arbítrio do ministro, deve ser dentro dos critérios clínicos objectivos da Direcção-Geral da Saúde", acrescentou.
Antes de visitar o hospital, o ministro celebrou protocolos com a autarquia relativos à construção do Centro de Saúde Viseu Norte e da extensão de saúde de Lordosa, que envolvem uma verba de 3.800 mil euros.