Miranda do Corvo - Eucaristia e chanfana encerram romaria do Senhor da Serra
A romaria do Senhor da Serra, em Miranda do Corvo, efeméride obrigatória do calendário rural da Região Centro, encerra domingo, com sermões, eucarista e os habituais festins gastronómicos com chanfana e vinho tinto.
O padre Pedro Santos, reitor do santuário do Divino Senhor da Serra, disse à agência Lusa que esta festividade religiosa, em meados do século XX, mobilizava ainda milhares de pessoas oriundas de diferentes concelhos da região entre os rios Douro e Tejo.
Entusiasta da romaria, uma novena (nove dias) iniciada no dia 13, o pároco de Semide lamentou a "perda dos valores religiosos" na actual sociedade portuguesa e reiterou o convite para que as pessoas participem no derradeiro dia das festividades.
às 12:00, o padre António Jesus Ramos, responsável pela paróquia de S. Bartolomeu, na Baixa de Coimbra, e director do jornal Correio de Coimbra, órgão da Diocese da cidade, preside a uma eucaristia, a celebrar no santuário do Senhor da Serra.
Sermões e pagamento de promessas são outros dos actos religiosos que preenchem o programa, além de "comes e bebes", em que predomina carne de cabra velha assada em vinho tinto (chanfana), a compra das louças tradicionais de barro vermelho do Carapinhal e as habituais confraternizações profanas.
A romaria do Senhor da Serra, situado numa elevação de onde se avistam a cidade de Coimbra e as vilas de Miranda e da Lousã, foi fundada pelas monjas do Convento de Semide, cuja última residente morreu em finais de século XIX.
"As couves-tronchas gostam de ouvir os foguetes no Senhor da Serra", garantiam, ainda há poucas décadas, os camponeses mais velhos da região, conhecedores dos segredos ancestrais do mundo agrário, apostando sempre na plantação da hortaliça temporã.