MNE diz que momento é grave mas desvaloriza impacto na imagem do país

MNE diz que momento é grave mas desvaloriza impacto na imagem do país

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirma que a situação que o país vive é grave, com vítimas mortais e desalojados, afetando todos os setores económicos, mas desvalorizou que tenha impacto na imagem do país lá fora.

Lusa /

À margem do 35.º Congresso Nacional da AHP, organizado pela Associação da Hotelaria de Portugal, que decorre no Porto, questionado se esta situação poderá vir a tornar-se no futuro um desafio acrescido para o setor do turismo, Paulo Rangel negou.

"Não. (...) Numa catástrofe desta dimensão e que já provocou muitas vítimas mortais e que tem tantas e tantas dezenas de milhares de famílias - por uma razão ou por outra - ainda em situação muito difícil, evidentemente que afeta todo o país. Isto é, todos os seus setores. Agora, sinceramente, também acho que uma coisa é estarmos preparados para eventos excecionais, outra coisa é julgar que eles se vão tornar a normalidade", disse aos jornalistas.

"Acho que não devemos ter esse olhar (...). Isto afeta todos os setores, agrícola, industrial, dos serviços, a vida quotidiana simples das pessoas. Obviamente que é uma coisa negativa, mas não acho que isso tenha um impacto negativo sobre a imagem do país", sublinhou.

Com a situação a agravar-se esta tarde em alguns locais com rebentamento de diques, o governante lembra que é cedo para balanços.

"Estamos com uma crise que ainda está a decorrer. Primeiro, é preciso estarmos todos muito atentos e seguir todas as indicações das autoridades. É um momento grave (...)", acrescentou.

Paulo Rangel apontou ainda a resposta do Governo através do lançamento das linhas de apoio, verbas "disponibilizadas hoje".

"Já começaram a ser pagas. Hoje há muita gente já a receber, em 15 dias. (...) Vejo tanta crítica e não vejo que as pessoas olhem para uma coisa que é essencial, que é uma resposta rápida", lamentou.

Mas, "evidentemente, enquanto temos cheias pelo país inteiro, algumas delas com riscos muito sérios, não estamos em condições de estar aqui a elogiar esse trabalho. O trabalho não está terminado, infelizmente, antes estivesse, era sinal que estávamos agora a recuperar (...). E, portanto, efetivamente acho que não devemos fazer, digamos, nenhum balanço sem deixar que a situação se normalize", concluiu.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

 

 

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