Moção de Manuel Queiró desafia partido a clarificar política de alianças
Lisboa, 07 Jan (Lusa) -- O ex-dirigente democrata-cristão Manuel Queiró defende que o XXIII Congresso do CDS-PP deve clarificar a política de alianças do partido e discutir as condições para "os necessários entendimentos" no seu espaço político natural.
Intitulada "O caminho certo", a Proposta de Orientação Política, Económica e Social (POPES) de Manuel Queiró, que será hoje entregue na comissão organizadora do congresso, identifica duas "questões centrais" de estratégia para 2009, ano de três eleições.
"A primeira é a de saber de que lado deve estar o CDS. (...) do lado de uma alternativa de centro-direita à actual maioria socialista ou do lado dos que não excluem nenhum entendimento em função dos resultados eleitorais?", questiona Queiró na introdução do texto, a que a Lusa teve acesso.
Queiró irá insistir na defesa de que o CDS-PP deve dar o primeiro passo para "criar condições para os necessários entendimentos no seu espaço político natural".
Em Dezembro, Queiró tinha defendido, em declarações à Lusa, que o CDS-PP deve "fazer uma proposta ao PSD, não de coligação" mas "para propor uma concertação programática, uma espécie de programa comum em que os dois partidos encontrassem uma resposta conjunta à crise".
O ex-secretário-geral democrata cristão, crítico da direcção de Paulo Portas, considera no texto que "estão ainda por discutir as relações com o Presidente da República", numa referência ao voto favorável do CDS-PP à confirmação do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que condenou.
Outros pontos de discussão, refere o texto, são "as opções do partido face à descentralização administrativa no Continente e à chamada autonomia `evolutiva´ das Regiões Autónomas".
O XXIII Congresso do CDS-PP realiza-se a 17 e 18 de Janeiro nas Caldas da Rainha. Paulo Portas, líder reeleito com 95 por cento dos votos, apresentará o seu documento de orientação política.
Na documento da candidatura à liderança, Paulo Portas "afasta cenários de coligações ou acordos parlamentares", apontando o Governo de José Sócrates como "o adversário" do CDS nas eleições legislativas.
SF.