Molho inglês da Ferbar já não está à venda
A empresa Ferbar - Produtos Alimentares, Lda anunciou hoje que já não está à venda em Portugal o molho inglês comercializado com a sua marca que foi apreendido por suspeita de conter um corante potencialmente cancerígeno.
Em comunicado enviado à Agência Lusa, a empresa da Maia afirma que está em condições de garantir "com total segurança" que o molho inglês "Ferbar" já não está à venda em Portugal, devendo terminar no final desta semana a recolha de todas as embalagens que ainda permaneçam em armazéns grossistas e/ou retalhistas.
Sexta-feira, a agência de segurança alimentar britânica (FSA) retirou do mercado 359 produtos alimentares contendo um corante potencialmente cancerígeno, o Sudan 1.
Por sua vez, as autoridades portuguesas anunciaram terça-feira ter retirado do mercado todas as embalagens com um molho potencialmente cancerígeno importado do Reino Unido, tendo a Procuradoria-Geral da República revelado hoje que esses produtos eram comercializados com as marcas "Makro" e "Ferbar".
A Ferbar refere que recebeu uma informação do produtor do molho, sedeado no Reino Unido, dia 14, quatro dias antes do alerta internacional, tendo de imediato iniciado a recolha de "todos os fornecimentos do produto sob suspeita efectuados desde Janeiro de 2004".
Quando o caso foi tornado público no Reino Unido, já a Ferbar tinha retirado do mercado português "uma quantidade apreciável do produto".
A Ferbar salienta que, se houver alguma falha ou anomalia, "o problema está unicamente no produtor, no Reino Unido, não se podendo responsabilizar qualquer entidade portuguesa pela eventual não conformidade do que se suspeita".
O director-geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar, António Ramos, disse à Lusa que o produto era recebido por uma empresa das Caldas da Rainha, comercializado como molho inglês, que reembalava para outros fornecedores.
Nesta empresa das Caldas da Rainha foram apreendidos 16.800 litros do molho inglês.
O caso foi entregue ao Tribunal Judicial das Caldas da Rainha e a Direcção-Geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar aguarda uma decisão do Ministério Público para saber o que fazer ao produto.
"Já sabemos quais as marcas que usavam este produto, identificámos os lotes e todas as embalagens com este tipo de molho inglês já foram retiradas do mercado", assegurou António Ramos.
Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República refere ter recebido hoje a informação do nome das marcas que comercializaram o molho apreendido e ressalva que os resultados dos exames "em curso" é que vão permitir apurar se o material apreendido contém substâncias prejudiciais à saúde.
A apreensão do lote de "Worcester Sauce W3", vulgarmente conhecido por molho inglês, deu origem à instauração terça-feira de um inquérito crime por se suspeitar que contivesse alguma substância prejudicial à saúde.
As autoridades portuguesas tomaram conhecimento desta situação na sexta-feira, através de uma rede de alerta europeia para a segurança alimentar.
Os 359 produtos alimentares retirados do mercado britânico são habitualmente comercializados por cadeias de supermercados no Reino Unido, como a Asda, Waitrose, Tesco, Marks and Spencer e Sainbury+s, e contêm um molho produzido pela sociedade Premier Foods, denominado Crosse and Blackwell Worcester Sauce.
A autoridade alimentar britânica alertou os consumidores que tenham em casa este tipo de produtos para não os utilizarem.
Um lote de pimenta em pó com o colorante Sudan 1, um produto de uso proibido no fabrico de alimentos na União Europeia, foi usado no fabrico do molho agora retirado do mercado.
O Sudan 1 é normalmente utilizado para dar cor vermelha aos solventes, cera ou graxa e, segundo António Ramos, usado nalguns países orientais para dar mais cor às especiarias.
Nos 359 produtos apreendidos pelas autoridades britânicas incluem- se empadas, pizzas, coxas de frango, salsichas ou "chili" com carne.
Além dos "produtos brancos" de várias cadeias de supermercados, encontram-se entre as marcas a Unilever, Heinz e McDonald+s.
Entretanto, a Ferbar anunciou que vai disponibilizar a partir de hoje uma linha telefónica informativa e de suporte técnico (através do número 229 438 117) destinada aos clientes da marca, que funcionará durante as horas normais de expediente.