Montemor-o-Velho avalia armazenamento na Aguieira como de "risco constante"
O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho considerou hoje que a barragem da Aguieira, que sustenta as águas do Mondego, está numa situação de risco constante, por estar a 99% da sua capacidade de armazenamento.
"É uma situação de risco constante. Com este volume de água, a barragem vai ter de descarregar", disse José Veríssimo à agência Lusa, na sequência das inundações e cheias que atingem este concelho do distrito de Coimbra, sobretudo após o colapso das margens do Mondego, na quarta-feira.
José Veríssimo disse que a água nos campos do Baixo Mondego continua a subir, embora de forma lenta.
"No canal principal do rio Mondego há algum alívio de pressão, depois do dique ter rebentado na quarta-feira".
A bacia do Mondego era, às 08:00, a única do continente em situação de risco, com o volume de armazenamento da barragem da Aguieira acima dos 99%, perto do limite de segurança daquela infraestrutura.
Segundo dados do portal InfoÁgua, o volume de armazenamento da Aguieira veio a subir consistentemente desde a manhã de quarta-feira, altura em que estava nos 72%, atingindo o seu valor máximo desde o início das inundações no Baixo Mondego, pelas 08:00 de hoje, com 99,04%, a uma cota de 124,5 metros.
O nível de máxima cheia da Aguieira é de 126 metros, altura a partir da qual aquela albufeira não consegue receber mais água e tem de a libertar, por poder pôr em causa a segurança da própria barragem.
À mesma hora, o caudal que saía da barragem (efluente) estava nos 930 metros cúbicos por segundo (m3/s), ligeiramente inferior aos 958 m3/s registados durante a madrugada. O caudal afluente, por sua vez, era ligeiramente superior, com 1.054 m3/s - a Aguieira estava a receber mais água do que aquela que largava -- embora o volume de afluência venha a diminuir desde as 21:00 de quarta-feira, quando ultrapassou os 1.750 m3/s.