Montenegro quer um "currículo mais exigente" na Educação e continuar processo da digitalização

Montenegro quer um "currículo mais exigente" na Educação e continuar processo da digitalização

Luís Montenegro encerrou, este domingo, a 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, com um discurso totalmente centrado na Educação.

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Nuno Veiga - Lusa

O primeiro-ministro aproveitou o discurso para anunciar várias reformas, colocando a educação no “centro da ação política”.

“Escolhemos não adiar a resolução dos problemas e avançamos com reformas estruturais”, disse, afirmando que “as gavetas estavam cheias de reformas por concretizar” nesta área.

“Começamos desde logo por valorizar os professores”, recordou, salientando que a “recuperação do tempo de serviço foi prioridade máxima”.

Nestes dois anos, Montenegro recorda que o seu Governo lançou o plano “Mais aulas mais sucesso”, alargou o recurso às horas extraordinárias, criou o apoio à deslocação, bem como um incentivo ao prolongamento da carreira do docente.

Para o futuro, Montenegro anunciou que quer “um currículo mais exigente que prepare os alunos para a digitalização e a Inteligência Artifical”, prometendo que esteja implementado já no ano letivo de 2027/2028.

“Estamos a fechar contratos com universidades, investimento em equipamentos digitais, revisão das aprendizagens essenciais do ensino básico e secundário”, disse.

O primeiro-ministro anunciou ainda a criação de uma nova Universidade de Bragança e do Norte Interior e um novo regime de autonomia e governação das escolas, com eleição geral do diretor.

Montenegro acrescentou que Governo irá também "dinamizar o estatuto do diretor e valorizá-lo do ponto de vista das suas remunerações", bem como "equiparar as condições remuneratórias dos reitores das universidades politécnicas com os restantes reitores".
Processo de digitalização “não correu bem”
Relativamente ao sistema de digitalização, Montenegro admite que o processo “não correu bem”, mas mantém o mesmo sistema “com determinação”.

"Reconhecemos que este processo não correu bem e lamentamos a perturbação que aconteceu durante algum tempo, mas mantivemos a nossa determinação de que o caminho é correto”, disse.


“A mudança tem risco e estamos aqui para assumir os riscos da mudança, mas mudar e atingir os objetivos da mudança”, disse Montenegro, afirmando que a segunda fase dos exames nacionais “já mostrou que somos capazes de levar este processo de digitalização por diante”.

Montenegro considerou que a mudança que o Governo está a fazer no sistema educativo e científico é "verdadeiramente nuclear e estrutural do futuro de Portugal".

"Uma reforma que torna as nossas instituições mais flexíveis e com foco na mudança e no futuro, uma reforma que vai colocar as entidades do Ministério da Educação verdadeiramente ao serviço dos alunos e que vai permitir reduzir a burocracia na vida dos professores, na vida dos diretores e na vida das famílias", disse.

"Portugal precisa deste tipo de reformas e transformações, reformas consistentes, baseadas em análises aprofundadas, exigentes e transparentes", acrescentou.

Sem fazer qualquer referência à ameaça da moção de censura do Chega ao Governo, Montenegro terminou o discurso de 40 minutos com um recado à oposição.

"Eu já sei que muitos vão dizer, mal acabe de falar, que eu não falei do caso A, da situação B ou da oposição C. Até prevejo que muitos dirão que fugi de falar isto ou daquilo. Podem dizer o que quiserem, isso é democracia, mas eu também disse o que quis, e isso também é democracia", rematou.
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