Morador diz que estava a ser feita mudança do gás propano para natural
Setúbal, 23 Nov (Lusa) - Um dos moradores no edifício de Setúbal parcialmente destruído por uma explosão na quinta-feira disse hoje à Lusa que técnicos estavam a proceder à experimentação das colunas de gás do imóvel para mudar do propano para natural.
Segundo Luís Caturra, pediatra do Hospital de São Bernardo, que ficou temporariamente desalojado, "na quinta-feira estiveram no prédio técnicos de uma empresa de gás a fazer experimentação das colunas de gás".
Na terça-feira, foi colocada uma informação à porta do prédio tendo em vista uma alteração de gás propano para gás natural e outra informação da administração do condomínio a informar que tinha autorizado essa operação, acrescentou.
Ao mesmo tempo, elementos da mesma empresa estavam a contactar diversos moradores do prédio a solicitar-lhes que assinassem contratos de fornecimento de gás natural, alegando que 67 por cento dos moradores já tinham aderido à alteração de fornecimento de gás.
"Já há dois anos tinha havido uma tentativa de mudança de gás propano para gás natural, mas não sei se a empresa é a mesma", disse Luís Caturra.
A administração da empresa é coadjuvada pela empresa de gestão de condomínios ServiBocage, que a agência Lusa tentou contactar, o que foi impossível até ao momento.
"Enquanto não me demonstrarem que a explosão não foi causada por esta intervenção no gás, tenho o direito de achar que foi", sublinhou o pediatra.
A Lusa contactou ainda a assessora de imprensa do Governo Civil de Setúbal, que se escusou a dar mais pormenores sobre a explosão, alegando que só após a reunião como os moradores do prédio, marcada para a tarde de hoje no quartel de Bombeiros Sapadores de Setúbal, serão dados mais pormenores.
Ao local da explosão já chegaram, entretanto, técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que vão avaliar as condições estruturais do prédio.
A Lusa apurou, entretanto, que o fornecimento de gás propano ao prédio era da responsabilidade da Galp Energia e que os técnicos de gás natural que se encontravam a trabalhar no edifício eram da Galp Prime.
A explosão ocorrida quinta-feira num prédio de habitação no bairro do Monte Belo, em Setúbal, causou 40 feridos e 48 desalojados.
GR/CP
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