Moradores contestam demolição de construções junto à praia de S. Bartolomeu do Mar, Esposende
Moradores e proprietários das construções junto à praia de S. Bartolomeu do Mar, Esposende, contestaram a anunciada demolição dos seus edifícios e manifestaram-se "indignados" por apenas saberem da intenção pelos jornais.
"Eu quero crer que isto não passa do papel, mas se decidirem mesmo avançar, ainda muita água vai correr por estas bandas", disse à Lusa Isabel Miranda, que vê ameaçada de demolição a sua casa, com mais de 100 anos e onde vive com o marido e o filho, e o café que é o seu "ganha pão" há duas décadas.
Isabel Miranda reconhece que todas aquelas construções estão em perigo, devido ao progressivo avanço do mar, e confessa que as camas lá em casa "abanam todas" quando o mar está bravo e investe contra a costa.
No entanto, defende que a solução deveria ser, não a demolição daquilo que foi construído "com o dinheiro de uma vida", mas uma "aposta a sério" na sua defesa, através de um plano de recuperação da praia, que contemplasse "talvez um paredão".
"Não só falam em demolição como não dão qualquer cavaco aos moradores, como se isto não tivesse dono. A verdade é que apenas sabemos pelos jornais que querem deitar abaixo o que é nosso, as nossas casas. É extremamente revoltante", acrescentou.
O director do Parque Natural do Litoral Norte (PNLN), Duarte Figueiredo, anunciou há dias que "previsivelmente já no próximo ano" serão demolidas as cerca de 30 construções situadas na costa de S.
Bartolomeu do Mar, entre as quais três casas de primeira habitação.
Segundo Duarte Figueiredo, a intervenção naquela freguesia deverá custar em cerca de dois milhões de euros e está já "perfeitamente definida", por se tratar de um caso urgente, já que o mar, na última década, levou mais de 50 metros de areal daquela praia, "que pura e simplesmente desapareceu".
Em Abril deste ano, a fúria do mar destruiu parcialmente uma dessas construções, restando de pé 19 casas, um comércio e 11 arrecadações de pesca.
Neste momento, a casa mais exposta à fúria das marés pertence a Vasco Viana, que já gastou "uma pipa de massa" para impedir que aquilo fosse tudo "por água abaixo".
Fez uma barreira de protecção com pedras que chegam a pesar cinco toneladas e com sacos cheios de areia, o que até lhe valeu o processo em tribunal, em que foi condenado ao pagamento de uma multa de 30 mil euros.
"Nem protegem, nem deixam proteger. O que parece é que querem que a casa vá abaixo com as marés para depois não terem de pagar qualquer indemnização", referiu um familiar de Vasco Viana, garantindo que a casa "tem todas as licenças", quer da Câmara, quer da Capitania.
O director do PNLN anunciou que até 2011 serão demolidas mais de 200 construções "ilegais" na costa de Esposende, num investimento superior a dez milhões de euros em expropriações, demolições, remoção de alicerces e intervenção ambiental.
Além de S. Bartolomeu do Mar, a intervenção terá também lugar na freguesia de Apúlia, entre os lugares de Pedrinhas e Seduvém, onde se contam 97 arrecadações, 78 habitações, das quais 56 segundas residências, e sete comércios, nomeadamente restaurantes.
Duarte Figueiredo sublinhou que o caso de Apúlia não é urgente, pelo que a intervenção começará por S. Bartolomeu.