Moradores de Folhadela e Parada de Cunhos continuam com protestos por causa de viaduto

A discussão pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da Autoestrada 4 (A4) termina hoje mas os moradores de Folhadela e Parada de Cunhos, Vila Real, prometem novas iniciativas contra a construção de um viaduto de 2,7 quilómetros nela incluído.

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O traçado prioritário definido EIA para a futura A4, que ligará Parada de Cunhos, em Vila Real, a Quintanilha, em Bragança, é contestado localmente porque implica a demolição de cerca de 20 casas e a construção de um viaduto de 2.700 metros, orçado em 65 milhões de euros, junto aos povoados de Folhadela e Parada de Cunhos.

A consulta pública do EIA para esta auto-estrada, cuja construção vai aproveitar cerca de 80 por cento do corredor do actual IP-4, termina hoje, devendo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) analisar todos os pareceres e contributos apresentados até ao dia 31 deste mês.

O tesoureiro da Junta de Freguesia de Folhadela, António José, disse hoje à Lusa que os moradores enviaram à APA mais de 40 pareceres individuais e que, na quarta-feira, foi entregue um abaixo-assinado com cerca de 2.400 assinaturas contra o viaduto.

Na zona de Vila Real, o actual IP-4 contorna a cidade a Norte, num corredor cuja ocupação torna inviável qualquer aproveitamento do traçado actual, o que fez com que os traçados analisados no EIA se localizassem a Sul da cidade até cerca do quilómetro 11, onde voltam a juntar-se ao corredor do actual IP-4.

Neste troço, a Solução Um, a seguir ao Nó de Parada de Cunhos, inflecte para Leste atravessando o Rio Corgo, através de uma ponte de grande porte, contornando também pelo Sul o complexo universitário e a povoação de Folhadela sempre em viaduto, após o que o traçado inflecte para Nordeste para ir ao encontro do actual IP-4.

Para o Sublanço Poente é apresentada uma solução e cinco traçados alternativos.

A Solução Um implica a demolição de cerca de 20 habitações para a construção da auto-estrada.

Os moradores das localidades afectadas prometem não baixar os braços e, por isso mesmo, a 24 de Agosto, vão realizar uma sessão de esclarecimento em Folhadela.

Entre os dias 25 e 26 de Agosto decorrerão acções de sensibilização pelas ruas do centro da cidade de Vila Real para alertar para a problemática da construção da A4.

Serão também colocados outdoors com fotografias do actual vale do Corgo e montagens de como a paisagem ficará após a construção do viaduto de quase três quilómetros e 130 metros de altura.

"Nós não somos contra a construção da auto-estrada na nossa freguesia. Queremos é que ela se afaste mais das nossas casas", frisou António José.

Especialistas em ambiente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) elaboraram também, e a pedido da APA, um relatório sobre o EIA, no qual apontam várias "deficiências" e "incongruências".

O engenheiro Rui Cortes, coordenador do estudo, disse à Lusa que os traçados previstos no EIA "têm grandes impactes ambientais", já que atravessam a zona da Rede Natura, e alertou para a "falta de soluções alternativas" apresentadas pelo EIA.

Aquele responsável aponta ainda os elevados custos da construção do traçado previsto, designadamente mais de "cem milhões de euros para a construção de apenas cinco quilómetros entre Parada de Cunhos e a intersecção com a A24".

"Não houve um trabalho de campo rigoroso, por isso propomos um estudo mais detalhado, onde sejam apontadas alternativas reais", salientou Rui Cortes.

O engenheiro acrescentou que a alternativa apresentada no EIA é "inviável" porque prevê a construção da A4 próximo à Vila Velha, no centro histórico da cidade de Vila Real.

Rui Cortes defende mesmo que a solução para a construção da A4 poderia passar pela duplicação do actual IP4 entre Parada de Cunhos e a A24.

"Pelo menos propomos uma análise detalhada sobre esta alternativa", frisou o docente.

Referiu ainda que cerca de 90 por cento dos habitantes de Folhadela serão "profundamente afectados" pelo viaduto, que passará a cerca de 30 metros das suas casas e ficará à altura dos primeiros andares das habitações.

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