Moradores elogiam pronta actuação dos bombeiros em zona de difícil acesso

Lisboa, 29 Abr (Lusa) - A pronta intervenção dos bombeiros foi hoje elogiada por moradores e vizinhos do Convento da Encarnação, Lisboa, onde na madrugada deflagrou um incêndio que causou a morte a duas idosas e feriu 27 pessoas.

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Vários habitantes, que foram acordados por uma explosão e pelo som de vidros a estilhaçar, contaram à agência Lusa que, apesar do pânico inicial, a retirada dos ocupantes do edifício que abriga as instalações ao Centro de Recolhimento da Segurança Social decorreu de forma "rápida" e sem problemas.

Uma moradora no nº15 da Travessa do Convento da Encarnação, que não quis identificar-se, disse à Lusa que foi acordada cerca das duas da manhã pelo intenso cheiro a fumo, tendo-se apercebido de que havia um incêndio, com a chegada imediata dos bombeiros.

"Foi dramático, mas o socorro decorreu com muita serenidade e tranquilidade e quer os bombeiros quer a polícia foram incansáveis no apoio às pessoas", disse esta moradora, acrescentando que apesar as pessoas estavam "com medo e em choque".

Acrescentou que esta é uma zona velha e que se o incêndio não tivesse sido acudido a tempo poderia ter tido piores consequências.

O Convento da Encarnação, junto ao Campo de Santana, é um edifício de arquitectura antiga, cujas janelas da fachada principal se encontram gradeadas, situado numa praceta com acesso por duas ruas estreitas onde normalmente se estacionam carros.

No centro de recolhimento da Segurança Social residem 64 pessoas, entre idosos e famílias apoiadas pela Segurança Social que ocupam apartamentos dentro do próprio convento.

Foi num desses apartamentos, no 3º andar do edifício, que deflagrou o incêndio que se suspeita tenha sido causado por um cigarro mal apagado de uma idosa de 82 anos, que acabaria por morrer.

Celmina Sousa, uma jovem mãe moradora no apartamento contíguo àquele onde começou o fogo, descreveu à agência Lusa os momentos de pânico que se seguiram ao momento em que foi dado o alerta de fogo pelo vigilante do edifício.

"Acordei com o fogo e com o tecto da casa a explodir. Quando saí de casa era uma grande confusão para tentar retirar as pessoas porque muitos dos idosos não abriam a porta", disse.

Acrescentou que a explosão terá sido causada pelo calor, uma vez que a moradora morreu não usava bilhas de gás.

Celmina Sousa, que foi assistida no hospital juntamente com o filho por ter inalado fumo mas regressou às primeiras horas da manhã ao Centro de Recolhimento, disse ainda que a idosa em causa já tinha adormecido diversas vezes a fumar à janela.

Ludmina, que ocupa outros dos apartamentos do centro, disse à Lusa que acordou às 03:00 da manhã com gritos de fogo e mal teve tempo para sair de casa com a ajuda dos bombeiros, que diz terem sido "impecáveis".

O incêndio ocorreu às 03:17 e causou a morte a duas idosas e ferimentos em mais 27 pessoas.

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