Morreu agente da PSP agredido à porta de discoteca em Lisboa

Morreu o agente da PSP que estava desde sábado em coma induzido no Hospital de São José, em Lisboa. Fábio Guerra tinha 26 anos e foi vítima de agressões à porta da discoteca MOME.

RTP /
Foto: Pedro A. Pina - RTP

A RTP apurou que os fuzileiros alegadamente envolvidos nesta rixa já foram ouvidos pela Marinha. Rejeitam ter pontapeado o jovem e apontam os elementos da PSP como parte envolvida no conflito.

A notícia da morte do agente foi confirmada pela Polícia de Segurança Pública em comunicado enviado às redações. O operacional "faleceu hoje pelas 9h58, vítima das graves lesões cerebrais que sofreu".
Antena 1

"Continuam em curso todas as diligências, em coordenação com a Polícia Judiciária, visando a identificação e detenção de todos os autores das agressões, que resultaram na morte do nosso Polícia", acrescenta-se ainda.
"Ética e deveres militares"
Em nota divulgada no domingo, a Armada referiu que, na véspera, "dois militares, do regime de contrato, da classe de Fuzileiros, envolveram-se nos confrontos que ocorreram na madrugada desse mesmo dia, na via pública, junto de um espaço noturno, em Lisboa, tendo posteriormente informado as respetivas chefias". A investigação aos acontecimentos do passado sábado está a cargo da Polícia Judiciária.


Os dois militares receberam ordens para se apresentarem na respetiva unidade para "responder a um inquérito interno", encontrando-se "à disposição das autoridades policiais para as devidas investigações".

A Marinha Portuguesa enfatizou ainda que se "encontra disponível para cooperar no que for necessário, com vista ao apuramento de todos os factos", sublinhando "não tolerará que nenhum militar seu tenha quaisquer comportamentos que violem a ética e os deveres militares".
Presidente lamenta morte de agente
A Presidência da República publicou entretanto um comunicado a lamentar "o falecimento do agente da PSP Fábio Guerra".Em comunicado, a Marinha "lamenta profundamente o falecimento do agente da Polícia de Segurança Pública Fábio Guerra, ana sequência dos confrontos que ocorreram na madrugada de sábado, 19 de março de 2022, em Lisboa, reiterando que se encontra disponível para colaborar com as autoridades policiais, com vista ao apuramento de todos os factos". Apresenta ainda condolências à família e amigos do agente, além da PSP.


"Ao tomar conhecimento do falecimento prematuro do agente Fábio Guerra, o Presidente da República manifestou a sua tristeza e pesar pela perda de uma vida em circunstâncias tão trágicas", lê-se na nota publicada no portal da Presidência.

"O agente Fábio Guerra será recordado pela sua abnegação, coragem e dedicação ao serviço do próximo e da segurança pública", acrescenta Marcelo Rebelo de Sousa, para depois endereçar "as mais sentidas condolências à família do agente Fábio Guerra, bem como aos seus amigos e aos profissionais da PSP".
"Profunda tristeza e consternação"
Em comunicado divulgado no sábado, a PSP referia que o incidente havia ocorrido na madrugada desse dia, pelas 6h30, "no exterior de um estabelecimento de diversão noturna, na Avenida 24 de Julho", tendo sido precipitado por agressões mútuas entre diferentes cidadãos."Que a morte deste agente da PSP, que todos lamentamos, não seja uma morte em vão, que represente a mudança das políticas de segurança em matéria de noite, no que diz respeito à via pública na qual todos os cidadãos se deveriam sentir em segurança, um dever básico da democracia. A segurança não existe porque o Estado não quer", reagiu a Associação de Discotecas Nacional.

No local estavam "quatro polícias, fora de serviço, que imediatamente intervieram, como era sua obrigação legal", acabando por ser agredidos "violentamente" por um dos grupos, formado por uma dezena de pessoas.

Durante a ação policial, um dos agentes foi "empurrado e caiu ao chão, onde continuou a ser agredido com diversos pontapés, enquanto os restantes polícias continuavam também a defender-se das agressões".

A ministra da Administração Interna fez igualmente publicar uma nota, ao início da tarde desta segunda-feira, para expressar "profunda tristeza e consternação" face à "notícia do falecimento do agente da Polícia de Segurança Pública Fábio Guerra, de 26 anos, na sequência da brutal agressão de que foi vítima, nas primeiras horas do passado dia 19, no exterior de um estabelecimento de diversão noturna, em Lisboa".

"Neste momento de grande dor, quero transmitir à família do agente Fábio Guerra, em meu nome e em representação do Ministério da Administração Interna e do Governo, o sentimento de solidariedade e de genuína condolência face à tragédia que se abateu sobre o seu ente querido. Este é o momento de apaziguarmos a alma e de garantirmos ao Fábio um funeral digno da vontade de paz que evidenciou, da coragem que revelou e do exemplo que deu como cidadão e como agente da PSP", escreve Francisca Van Dunem.

"Estou segura de que as autoridades competentes tudo farão no sentido do rápido esclarecimento dos factos", conclui.

Por sua vez, a ASPP/PSP - Associação Sindical dos Profissionais da Polícia - veio "deixar as sentidas condolências à família do agente Fábio Guerra".

Expressou ainda "total solidariedade e disponibilidade à família, neste momento tão difícil".

c/ Lusa
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