Morreu Maximino Serra resistente antifascista

Maximino Serra, antigo militante e funcionário político do PS, que participou em duas falhadas tentativas para depor o regime do Estado Novo de Oliveira Salazar, morreu, aos 87 anos, revelou fonte socialista.

Lusa /
Morreu Maximino Serra aos 87 anos D.R.

O funeral de Maximino Serra, militante do PS desde 1973, será em São Martinho do Porto, concelho de Alcobaça, embora a data ainda não esteja fixada.

Maximino Serra participou na Revolta da Sé e no Golpe de Beja contra o regime de Oliveira Salazar, esteve exilado ao abrigo das Nações Unidas e entrou para o PS antes do 25 de Abril de 1974, partido em que foi funcionário político.

Nas eleições autárquicas de 2021, este histórico socialista entrou como último suplente na lista concorrente à Câmara de Alcobaça pelo movimento Nós Cidadãos, opção que motivou a sua expulsão do PS.

Em declarações ao jornal Público, em maio deste ano, Maximino Serra afirmou ser "alérgico a imposições" e considerou que o que lhe fizeram representou "uma traição", pelo modo como "foi feito".

Mostrou-se então "muito admirado por o atual secretário-geral, António Costa, ter admitido" a sua expulsão e acrescentou: "Penso até que ele não se apercebeu do que me fizeram".

Maximino Serra foi funcionário político do PS desde a instalação do partido em Portugal, teve responsabilidades em Setúbal, em Santarém e depois em Leiria.

Também em declarações ao jornal Público, em maio, disse ser "o único antifascista vivo a militar no PS", assinalando que "era amigo de Edmundo Pedro e de Palma Inácio".

Antes da sua entrada no PS, Maximino Serra, irmão de Manuel Serra, integrou o Movimento Socialista Popular (MSP).

Após a fundação do PS, em 19 de Abril de 1973, Manuel Serra fez um acordo com Mário Soares e o MSP entrou no PS em janeiro de 1974.

Resistente antifascista, começou a sua atividade política ligado ao professor Ruy Luís Gomes e em 1958 esteve envolvido na candidatura presidencial de Humberto Delgado.

Após o fracasso do Golpe de Beja, Maximino Serra refugiou-se na embaixada do Brasil em abril de 1962, onde em 1959 se tinha refugiado Humberto Delgado.

Depois, desviou um avião de um aeroclube e voou para Marrocos, em agosto de 1963, para tentar juntar-se à Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), em Argel.

Não conseguiu entrar na Argélia e, em finais de 1964, partiu de Marrocos, a seguir para o Canadá e, mais tarde, para os Estados Unidos, ao abrigo de um programa de proteção para exilados políticos das Nações Unidas.

 

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