País
Morreu Vítor Alves, capitão de abril
O antigo capitão do Movimento das Forças Armadas que em abril de 1974 derrubou o regime ditatorial de Salazar/Caetano, Vítor Alves morreu este domingo, durante a noite, no Hospital Militar, em Lisboa, vítima de doença prolongada aos 75 anos.
O corpo de Vítor Alves vai para a Capela da Academia Militar, onde estava internado já há algum tempo vítima de doença.
O corpo do coronel Vítor Alves estará em câmara ardente a partir das 18h00 de domingo na Capela da Academia Militar, em Lisboa, informou a empresa prestadora dos serviços fúnebres.
Na segunda-feira, a missa de corpo presente realiza-se pelas 15h00, seguindo o cortejo fúnebre para o Cemitério dos Olivais, onde decorrerá a cremação de Vítor Alves.
Vítor Alves - Um homem de abril
Vítor Alves nasceu em setembro de 1935 na cidade de Mafra, onde iniciou a vida escolar. Matriculou-se na Escola do Exército em 1954.
Durante a vida militar, esteve colocado em várias unidades, incluindo no Ultramar em comissão de serviço, onde permaneceu 11 anos, em Moçambique e Angola.
Fez vários estágios e cursos militares e em 1969 foi-lhe atribuído o “Prémio Governador-Geral de Angola” pelo trabalho desenvolvido no campo das atividades socioeconómicas em prol das populações africanas.
Recebeu em Portugal vários louvores e condecorações, entre os quais a Medalha de Mérito Militar e a Medalha de Comportamento Exemplar de Prata.
Em 1974, juntamente com outros capitães formou um Movimento primeiro de capitães depois alargado a outras patentes e batizado como Movimento das Forças Armadas do qual fez parte da sua comissão coordenadora e executiva, tendo sido encarregue de redigir o seu programa. Teve como companheiros de aventura, o então capitão Vasco Lourenço e o capitão Otelo Saraiva de Carvalho.
Foi dele a autoria do comunicado do MFA divulgado à população no 25 de abril e dia em que substituiu Otelo Saraiva de Carvalho, a partir das 16h00, no posto de comando da Pontinha, passando a coordenar o desenvolvimento da ação.
Derrubado o regime que governara Portugal nos últimos 48 anos, e começando a implantar-se o novo regime com a criação dos novos órgãos, Vítor Alves assumiu o seu posto no então criado Conselho da Revolução. Nesse órgão assumiu a função de porta-voz sendo ele a cara do órgão nos contactos com a comunicação social e com o país.
Vítor Alves foi nomeado para o cargo de ministro sem pasta em 1974, tendo exercido essas funções até 1975. Nessa qualidade foi responsável pelas pastas da Defesa Nacional e da Comunicação Social, tendo visto aprovada, por sua iniciativa, a primeira lei de imprensa pós-25 de abril, que vigorou até 1999. Foi também porta-voz do Governo
O militar emprestado à política assumiu outros cargos e chegou a ser ministro da Educação e Investigação Científica em 1975 e 1976, nos II e III governos provisórios.
No conturbado processo do verão Quente, Vítor Alves esteve ao lado do chamado “Grupo dos Nove, que saiu vencedor das disputas com os grupos político – militares afectos ao PCP e à extrema-esquerda.
Em 1982 foi nomeado conselheiro do então Presidente da República, António Ramalho Eanes também ele um vencedor do 25 de novembro. Nesse mesmo ano Vítor Alves passou à reserva.
Vítor Alves recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1983), entre muitas outras distinções dentro e fora de Portugal.
Empenhado no serviço a favor da comunidade, Vítor Alves experimentou a vida política tendo sido candidato independente pelo PRD às eleições legislativas (1985), à presidência da Câmara de Lisboa (1986) e ao Parlamento Europeu (1987).
Participou na fundação da Associação 25 de abril e posteriormente no conselho de acompanhamento do ministro da Justiça (1997-2000).
Em 1991 reformou-se. Em 2001 foi promovido ao posto de Coronel patente que ainda mantinha.
Portugal ficou sem um "cidadão de primeira" - Vasco Lourenço
Companheiro nas Forças Armadas e na organização, desencadeamento do movimento que levou ao derrube do salazarismo em abril de 1974, e atual presidente da Associação 25 de abril, o coronel Vasco Lourenço, lamentou a morte do capitão de abril Vítor Alves, afirmando que perdeu um dos seus melhores amigos e que o país ficou sem um "cidadão de primeira".
"É um dia bastante triste. Perdi um dos meus melhores amigos e o país perdeu um cidadão de primeira, que tudo arriscou para que a democracia e a liberdade vigorassem em Portugal", disse Vasco Lourenço.
Vasco Lourenço recordou o militar falecido como uma figura de abril "da primeira e de todas as horas", destacando ainda a participação do coronel Vítor Alves na feitura do programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), que coordenou.
Vítor Alves foi ainda um dos primeiros sócios da Associação 25 de abril, da qual era atualmente o presidente do Conselho da Presidência da instituição, lembrou Vasco Lourenço.
Em 25 de abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas derrubou o regime ditatorial que tinha então como Presidente da República o almirante Américo Tomás e como presidente do Conselho de Ministros Marcelo Caetano.
O corpo do coronel Vítor Alves estará em câmara ardente a partir das 18h00 de domingo na Capela da Academia Militar, em Lisboa, informou a empresa prestadora dos serviços fúnebres.
Na segunda-feira, a missa de corpo presente realiza-se pelas 15h00, seguindo o cortejo fúnebre para o Cemitério dos Olivais, onde decorrerá a cremação de Vítor Alves.
Vítor Alves - Um homem de abril
Vítor Alves nasceu em setembro de 1935 na cidade de Mafra, onde iniciou a vida escolar. Matriculou-se na Escola do Exército em 1954.
Durante a vida militar, esteve colocado em várias unidades, incluindo no Ultramar em comissão de serviço, onde permaneceu 11 anos, em Moçambique e Angola.
Fez vários estágios e cursos militares e em 1969 foi-lhe atribuído o “Prémio Governador-Geral de Angola” pelo trabalho desenvolvido no campo das atividades socioeconómicas em prol das populações africanas.
Recebeu em Portugal vários louvores e condecorações, entre os quais a Medalha de Mérito Militar e a Medalha de Comportamento Exemplar de Prata.
Em 1974, juntamente com outros capitães formou um Movimento primeiro de capitães depois alargado a outras patentes e batizado como Movimento das Forças Armadas do qual fez parte da sua comissão coordenadora e executiva, tendo sido encarregue de redigir o seu programa. Teve como companheiros de aventura, o então capitão Vasco Lourenço e o capitão Otelo Saraiva de Carvalho.
Foi dele a autoria do comunicado do MFA divulgado à população no 25 de abril e dia em que substituiu Otelo Saraiva de Carvalho, a partir das 16h00, no posto de comando da Pontinha, passando a coordenar o desenvolvimento da ação.
Derrubado o regime que governara Portugal nos últimos 48 anos, e começando a implantar-se o novo regime com a criação dos novos órgãos, Vítor Alves assumiu o seu posto no então criado Conselho da Revolução. Nesse órgão assumiu a função de porta-voz sendo ele a cara do órgão nos contactos com a comunicação social e com o país.
Vítor Alves foi nomeado para o cargo de ministro sem pasta em 1974, tendo exercido essas funções até 1975. Nessa qualidade foi responsável pelas pastas da Defesa Nacional e da Comunicação Social, tendo visto aprovada, por sua iniciativa, a primeira lei de imprensa pós-25 de abril, que vigorou até 1999. Foi também porta-voz do Governo
O militar emprestado à política assumiu outros cargos e chegou a ser ministro da Educação e Investigação Científica em 1975 e 1976, nos II e III governos provisórios.
No conturbado processo do verão Quente, Vítor Alves esteve ao lado do chamado “Grupo dos Nove, que saiu vencedor das disputas com os grupos político – militares afectos ao PCP e à extrema-esquerda.
Em 1982 foi nomeado conselheiro do então Presidente da República, António Ramalho Eanes também ele um vencedor do 25 de novembro. Nesse mesmo ano Vítor Alves passou à reserva.
Vítor Alves recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1983), entre muitas outras distinções dentro e fora de Portugal.
Empenhado no serviço a favor da comunidade, Vítor Alves experimentou a vida política tendo sido candidato independente pelo PRD às eleições legislativas (1985), à presidência da Câmara de Lisboa (1986) e ao Parlamento Europeu (1987).
Participou na fundação da Associação 25 de abril e posteriormente no conselho de acompanhamento do ministro da Justiça (1997-2000).
Em 1991 reformou-se. Em 2001 foi promovido ao posto de Coronel patente que ainda mantinha.
Portugal ficou sem um "cidadão de primeira" - Vasco Lourenço
Companheiro nas Forças Armadas e na organização, desencadeamento do movimento que levou ao derrube do salazarismo em abril de 1974, e atual presidente da Associação 25 de abril, o coronel Vasco Lourenço, lamentou a morte do capitão de abril Vítor Alves, afirmando que perdeu um dos seus melhores amigos e que o país ficou sem um "cidadão de primeira".
"É um dia bastante triste. Perdi um dos meus melhores amigos e o país perdeu um cidadão de primeira, que tudo arriscou para que a democracia e a liberdade vigorassem em Portugal", disse Vasco Lourenço.
Vasco Lourenço recordou o militar falecido como uma figura de abril "da primeira e de todas as horas", destacando ainda a participação do coronel Vítor Alves na feitura do programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), que coordenou.
Vítor Alves foi ainda um dos primeiros sócios da Associação 25 de abril, da qual era atualmente o presidente do Conselho da Presidência da instituição, lembrou Vasco Lourenço.
Em 25 de abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas derrubou o regime ditatorial que tinha então como Presidente da República o almirante Américo Tomás e como presidente do Conselho de Ministros Marcelo Caetano.