Mortalidade infantil em Portugal diminuiu 10 vezes em 30 anos

A mortalidade infantil durante o primeiro ano de vida diminuiu dez vezes nas últimas três décadas em Portugal, passando de 40 para quatro mortes por cada mil nascimentos, segundo uma especialista da Direcção-Geral de Saúde (DGS).

Agência LUSA /

De acordo com Beatriz Calado, da Divisão de Saúde Reprodutiva da DGS, a mortalidade perinatal (que ocorre a partir das 28 semanas de gestação e até uma semana depois do parto) também registou uma diminuição significativa desde 1975, passando de 32 para cinco casos por cada mil nados-vivos.

"Qualquer destes valores colocam Portugal abaixo da média da União Europeia", afirmou Beatriz Calado, à margem do seminário sobre Saúde Materno-Infantil e Maternidade Segura, que decorreu hoje em Lisboa.

O Relatório Mundial da Saúde 2005 da Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca o sucesso obtido por Portugal nas últimas três décadas, sublinhando que o país passou de uma situação "muito má" para níveis superiores nos cuidados básicos de saúde materno- infantil a nível mundial.

A especialista da DGS atribui este "sucesso" ao esforço dos profissionais de saúde e ao facto de ao longo dos anos se terem mantido as orientações e programas nesta área, apesar da mudança de Governos.

As mortes que continuam a ocorrer estão relacionadas com "uma certa desigualdade nos acessos aos cuidados de saúde de populações mais desfavorecida", sustenta Beatriz Calado, defendendo a necessidade de programas especialmente dirigidos às minorias pobres das grandes cidades.

Em todo o mundo, cerca de 3,3 milhões de bebés são nados- mortos e mais de quatro milhões morrem nos primeiros 28 dias de vida, segundo o relatório da OMS.

O documento adianta ainda que 6,6 milhões de crianças morrem antes de completar o quinto ano de vida e o número de mortes maternas também não tem diminuído, registando-se cerca de 529 mil mortes por ano.

"A principal conclusão do relatório é que é uma vergonha que haja tantas mulheres e crianças a morrer porque não recebem os cuidados básicos que as podiam salvar", afirmou o editor do relatório, Win Van Lerberghe, à margem do seminário organizado pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

O responsável adiantou que "a situação é muito grave na África sub-Sahariana", precisando que dos 20 países que têm piores condições de saúde, 19 pertencem a essa sub-região.

Este ano, o Dia Mundial da Saúde, assinalado no passado dia 7 de Abril, foi dedicado à saúde materno-infantil.

No âmbito desta iniciativa, foram lançados hoje cinco Manuais de Educação em Maternidade Segura, subordinados aos temas "Hemorragia pós-parto", "Eclâmpsia", "Aborto incompleto", "Sépsis" e "Parto prolongado e paragem na progressão do trabalho de parto".

"A intenção destes manuais, que abordam as principais causas da mortalidade e morbilidade materno-infantil, é formar pessoas capacitadas para cuidar das mulheres grávidas", disse à agência Lusa Paulo Ferrinho, da INMT e presidente da Associação Garcia de Orta.

Paulo Ferrinho salientou que a versão portuguesa dos manuais foi a primeira a ser lançada oficialmente e que vai ser distribuída pela Organização Mundial de Saúde nos países de Língua Oficial Portuguesa.

No seminário, que decorreu segunda-feira e hoje em Lisboa, especialistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa debaterem os grandes problemas que existem nestes países a nível da saúde materno-infantil e da mortalidade materna.

O objectivo, segundo Paulo Ferrinho, "foi tentar desenvolver uma estratégia com base nas recomendações do Relatório Mundial de Saúde, que foi lançado em português na segunda-feira".

Presente no seminário, o subdirector da DGS, Francisco Georges, defendeu que os países de Língua Portuguesa devem trabalhar em conjunto, fazer novos tratados e criar um portal em Português, sob a égide da OMS, para melhorar a saúde materno- infantil nestes países.

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