Morte de comando português no Afeganistão

Um comando português morreu e três ficaram feridos numa explosão em Cabul, mas a participação das Forças Armadas na Força Internacional de Assistência à Segurança da NATO no Afeganistão vai manter-se.

Agência LUSA /
Imagem de arquivo de um militar português no Afeganistão Lusa

O primeiro-sargento dos Comandos João Paulo Roma Pereira, 33 anos, natural de Alhos Vedros (Moita), morreu na sequência de uma explosão às 07:30 (hora de Lisboa) que atingiu o blindado em que seguia numa patrulha, a oito quilómetros de Cabul.

Ao final da manhã, em conferência de imprensa, o ministro da Defesa, Luís Amado, garantiu que o incidente não vai alterar os compromissos internacionais assumidos e que as Forças Armadas nacionais "honrarão os compromissos que têm" .

Exprimindo as suas "sentidas e profundas condolências" pela morte do sargento Roma Pereira, também o Presidente da República, Jorge Sampaio, afirmou que as missões com forças portuguesas são "reavaliadas todos os dias" e que "não é um incidente, por mais dramático que seja, que põe em causa a bondade e a justiça" dessas operações.

A mesma ideia foi expressa, em Évora, pelo primeiro-ministro, José Sócrates, para quem os militares portugueses presentes no Afeganistão "estão a desempenhar uma missão da maior importância para Portugal e para o mundo, no âmbito da NATO e a pedido das Nações Unidas".

José Sócrates, que expressou as suas "mais profundas condolências à família" do militar falecido, sublinhou que o sargento dos Comandos "perdeu a sua vida ao serviço do país, mas também da paz e da liberdade", afirmando ter "plena confiança de que os militares portugueses no Afeganistão saberão cumprir a sua missão com sentido de dever e com profissionalismo".

Apenas o PCP e o Bloco de Esquerda (BE) defenderam o regresso dos militares portugueses no Afeganistão: o PCP por considerar aquela missão "uma guerra injusta" que "contraria os valores constitucionais", o dirigente do BE Francisco Louçã sublinhando que a presença de tropas portuguesas naquele país é "injustificada e injustificável".

Os candidatos às eleições presidenciais de Janeiro pronunciaram-se também sobre a morte do comando português.

Escusando-se a falar sobre as consequências para a missão portuguesa, Cavaco Silva expressou a sua solidariedade às Forças Armadas e aos familiares do militar morto, considerando este um dia triste para Portugal".

Mário Soares afirmou-se "muito triste" com a notícia da morte do sargento Roma Pereira e admitiu que nunca gostou tropas portuguesas "fossem para lá (para o Afeganistão)", mas sem esclarecer se defende a retirada das forças nacionais.

Para Manuel Alegre, a morte de um militar português "deixa de luto todo o país".

Pelo PSD, o ex-secretário de Estado da Defesa Henrique de Freitas lamentou a morte do militar, mas considerou ser "necessário prosseguir a luta contra o terrorismo", no âmbito da qual Portugal deve ser "um parceiro fiável".

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmou-se chocado com os acontecimentos desta manhã, enaltecendo o valor da missão portuguesa em Cabul de "combate ao terrorismo" e defendeu a sua continuação.

O líder do CDS-PP, José Ribeiro e Castro, manifestou o seu pesar pela morte do militar português e renovou a sua "homenagem e orgulho" nos militares e Forças Armadas que, "em missões de alto risco", "devem ser motivo de orgulho de todos os portugueses".

Também o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jaap de Hoop Scheffer, lamentou "profundamente" a morte do comando português e manifestou o desejo que os três soldados feridos recuperem rapidamente.

O corpo do primeiro-sargento falecido chega a Lisboa na terça-feira, transportado por um avião Hércules C-130 da Força Aérea.

Ao todo, estão no Afeganistão 196 militares portugueses, incluindo quatro no quartel-general da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) e sete que desempenham a função de controladores aéreos avançados.

Os 37 militares que asseguram a gestão do aeroporto de Cabul, entre os quais controladores aéreos e especialistas nas áreas de gestão e das informações militares, regressam a Portugal no final deste mês, passando o controlo do aeroporto para uma força grega.

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