Morte de Gisberta impulsiona primeira Marcha do Orgulho Gay no Porto
O Porto recebe pela primeira vez uma marcha do Orgulho Gay, que, na sequência do assassínio da transsexual Gisberta, pretende alertar a população para a necessidade de "encarar os direitos sexuais e identidades de género como direitos fundamentais".
"A nossa marcha (do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero) quer chamar a atenção para uma luta contra a discriminação efectiva do LGBT", afirmou à agência Lusa Bruno Maia, da comissão organizadora do evento.
O organizador referiu que, entre muitas transformações a fazer no país a favor dos direitos sexuais e igualdades de género, é preciso que o Governo crie uma lei contra crimes de ódio.
Gisberta Salce Júnior, a transsexual que apareceu morta em Fevereiro no Porto, é, para Bruno Maia, "o reflexo do que não tem sido feito em relação a esta nossa luta".
Bruno Maia adiantou que "o assassinato de Gisberta" despertou a vontade de realizar esta marcha no Porto, que tem início marcado para as 15:00, no Campo 24 de Agosto, local de referência da morte da transsexual.
O Tribunal de Família e de Menores do Porto começou segunda- feira a julgar 13 adolescentes, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos, implicados na morte de Gisberta, a maioria dos quais acolhidos na Oficina de São José (instituição que apoia menores em risco).
Bruno Maia reafirmou que a marcha "não é alheia ao assassinato de Gisberta" e defendeu que é dever do Estado "criar um sistema de protecção de menores que assegure uma educação sexual despreconceituosa a todas as crianças em situação de exclusão social".
Para Bruno Maia, neste sentido, o Estado é também responsável por este crime, devendo assegurar que crianças em risco sejam acolhidas em instituições onde haja uma "efectiva educação sexual contra a discriminação".
A marcha no sábado, que é apadrinhada pela psicóloga Gabriela Moita, pretende ser "transversal", esperando a organização uma "boa adesão".
No final da marcha, previsto para a Praça D. João I, será distribuído um manifesto, "um documento que justifica o porquê do desfile e de uma luta diária" do LGBT.
"Não queremos tolerância, mas uma igualdade de circunstâncias" frisou Gabriela Moita, que inclui as associações Panteras Rosa, Clube Safo, UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta e ATTAC Portugal, entre outras.
As associações, colectivos e outras entidades e pessoas que colaboram na organização desta marcha defendem "uma política social de assistência a grupos marginalizados - incluindo imigrantes, pessoas com HIV, sem-abrigo, utilizadores de drogas e trabalhadores do sexo - em vez de uma política de inclusão".
A não exclusão de mulheres solteiras ou de casais de duas mulheres da procriação medicamente assistida e uma efectiva protecção policial contra a homofobia e todas as fobias, que dizem não poder ser mais ignoradas, são outras reivindicações.