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Morte de Manuel Lopes é uma "profunda perda"

Morte de Manuel Lopes é uma "profunda perda"

O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, considerou que a morte, hoje, do escritor cabo-verdiano Manuel Lopes é "uma profunda perda" por tudo aquilo que fez pela cultura das ilhas.

Agência LUSA /

Em declarações à Agência Lusa, o chefe do governo cabo- verdiano destacou que Manuel Lopes "deu a conhecer ao mundo e aos cabo- verdianos as calamidades, as secas e as mortes" por que o arquipélago passou, nomeadamente nas décadas de 40 e 50 do século XX.

"Temos de, em conjunto, governo e sociedade, erigir algo que perpetue a memória de Manuel Lopes", disse José Maria Neves, adiantando que o escritor e homem de cultura é merecedor de "uma profunda homenagem".

O ministro da Cultura cabo-verdiano, Manuel Veiga lembrou, por seu lado, à Lusa que Manuel Lopes "era o último claridoso - forma como ficaram conhecidos os elementos do movimento literário Claridade - vivo".

"É uma grande perda para a Cultura cabo-verdiana e todos sentem este momento de forma profunda porque se trata de um homem que fez muito por Cabo Verde", adiantou Veiga.

Ambos os governantes acrescentam que se Manuel Lopes deixou, em vida, clara a sua vontade de ser sepultado em Cabo Verde e for essa também a vontade da família, o governo vai proceder de forma a garantir que assim seja.

Manuel Lopes morreu hoje em Lisboa, aos 97 anos. Entre as suas obras mais conhecidas está "Os Flagelados do Vento Leste", publicada em 1959 e adaptada para o cinema em 1987 pelo realizador António Faria.

O seu primeiro romance, "Chuva Braba" (1958) valeu-lhe o prémio Fernão Mendes Pinto, sendo consagrado com o mesmo galardão pela obra "O galo que cantou na Baía (e outros contos cabo-verdianos)" (1959).

A obra de Manuel Lopes abrange poesia, ensaio, romance e conto, tendo-se também dedicado à pintura. Nos seus textos, destaca-se a mistura do português com expressões em crioulo.

O escritor foi fundador do movimento literário "Claridade", criado no Mindelo em 1936 como uma afirmação de emancipação cultural, social e política da sociedade cabo-verdiana.

Manuel Lopes nasceu a 23 de Dezembro de 1907, no Mindelo, Ilha de São Vicente e viveu nos Açores antes de se instalar definitivamente no continente.

Há dois anos, foi homenageado na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa pelo Instituto Camões, no âmbito do projecto "Pontes Lusófonas".

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