Morte de reitor abre vazio na Universidade Portucalense
A Universidade Portucalense, Porto, está sem reitor desde quarta-feira, dia em que morreu, com 83 anos, o professor decano da instituição, João Ruiz Almeida Garrett, que desde 2004 exercia interinamente aquelas funções.
Fonte da direcção da universidade disse hoje à agência Lusa que ainda não está decidido quem será o novo reitor, nem há previsão sobre quando será tomada uma decisão sobre o assunto.
Uma outra fonte da universidade disse à Lusa que, com a morte de Almeida Garrett, o decano da Portucalense passa a ser Humberto Baquero Moreno, que era director da cooperativa proprietária da instituição em 2004, quando estalaram os conflitos internos que levaram ao afastamento do então reitor, Francisco da Costa Durão e à nomeação de uma administração judicial.
"A direcção pode pedir ao professor Baquero Moreno, enquanto decano, que exerça as funções de reitor também interinamente ou pode nomear outro reitor", disse esta fonte.
A Universidade Portucalense está em gestão controlada até ao final de 2007, por decisão tomada há três anos pelos credores da instituição, o maior dos quais o BCP.
A actual direcção da Portucalense é presidida pelo administrador judicial Fernando de Sousa e integra um representante do BCP, Teófilo Folhadela, e o presidente da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU), Almeida Dias.
Este período de gestão controlada visa fazer face às dificuldades financeiras da Universidade Portucalense, que em Novembro de 2004 conduziram a uma greve de dois dias devido a salários em atraso.
"Agora os salários são sempre pagos a tempo. Estamos a recuperar no número de alunos, que voltou a subir para cerca de mil, e criámos uma nova licenciatura em Psicologia", disse a fonte.
A Universidade Portucalense viveu entre Maio e Novembro de 2004 uma crise financeira e um conflito institucional aberto entre a direcção da cooperativa que a tutela e a sua reitoria, que chegou a rejeitar o plano de viabilização elaborado pelo BCP.
Os diferendos entre os órgãos dirigentes da universidade agravaram-se a 24 de Maio desse ano, quando um grupo de cooperantes contestatários tentou destituir a direcção da cooperativa, eleita em Janeiro de 2003.
O mesmo grupo apresentou uma denúncia de alegada gestão danosa, que levou a Polícia Judiciária a efectuar buscas, a 09 de Julho de 2004, nas instalações da universidade e nas residências dos directores-executivos, sem que tivessem sido constituídos quaisquer arguidos.
A Portucalense tinha então cerca de 2.000 alunos, menos um quarto do que no ano lectivo anterior.
Com o afastamento de Francisco Durão, Almeida Garrett assumiu interinamente as funções de reitor, mas nunca aceitou usar o título, assumindo o cargo apenas na condição de professor mais antigo.
João Ruiz Almeida Garrett, pai o candidato do PND à presidência da Câmara do Porto em 2005, João Bahia Almeida Garrett, foi um dos professores que fundou a Universidade Portucalense, em 1986, ano em que fechou a Universidade Livre do Porto, também por si co-fundada, em 1979.
Natural de Paranhos, Porto, Almeida Garrett era primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional quando se deu o 25 de Abril de 1974, ano em que abandonou a vida política e foi para Espanha, onde esteve um ano e meio como professor na Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madrid.
Almeida Garrett licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1947, tendo depois enveredado pelas Ciências Económicas, o que o levou a integrar o corpo docente da Faculdade de Economia do Porto desde a sua fundação, em 1953, até ao 25 de Abril.
Entre 1970 e 74, foi administrador do Banco Intercontinental Português e do Crédito Predial Português, ambos do Grupo Jorge de Brito, empresário que veio a ser presidente do Benfica.
Almeida Garrett foi também o primeiro presidente do Conselho de Administração da Brisa e, até 2006, director da Faculdade de Direito de Macau.