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Morte súbita é muita rara e de causas variadas - José Pinto da Costa

Morte súbita é muita rara e de causas variadas - José Pinto da Costa

O ex-director do Instituto de Medicina Legal do Porto, José Pinto da Costa, disse hoje que a morte súbita no desporto "é extraordinariamente rara" e tem um leque de causas conhecidas muito variado.

Agência LUSA /

"A morte súbita não será tão frequente como se pensa que é", afirmou Pinto da Costa na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física do Porto, numa conferência promovida pela Associação de Estudantes local.

Pinto da Costa reconheceu que a morte súbita do jogador húngaro do Benfica Féher, em Janeiro de 2004, veio "massificar o fenómeno", sobretudo pelo facto de ter sido filmada e acompanhada em directo por muitos telespectadores.

"Não vamos entrar na paranóia de que é necessário culpabilizar alguém sempre que há uma morte súbita. Provavelmente, até nem será ninguém culpado", afirmou o médico, salientando que há muitos factores, nomeadamente de ordem cardíaca, que podem contribuir para uma morte repentina em situações de esforço.

Pinto da Costa recordou o caso do jogador do FC Porto Pavão, que teve também morte súbita durante um jogo há cerca de 30 anos, em consequência da ruptura da artéria aorta, que tinha uma hipertrofia que dificultava o débito sanguíneo a partir do coração.

"Fui eu que fiz a autópsia do Pavão. Ele tinha sido o herói da equipa 15 dias antes na Irlanda. Mas, com o coração que tinha, só se foi com cerveja da Irlanda. Não percebo como é que ele aguentava aquele esforço todo", afirmou.

O médico salientou que Pavão, como muitos outros desportistas, conseguiu jogar futebol tanto tempo em resultado do seu equilíbrio vital, que permite que algumas deficiências sejam compensadas por outras características bio-psicológicas.

Pinto da Costa, que foi médico de praticantes de boxe, relatou casos de outros desportistas com deficiências cardíacas, como o jogador de futebol Miguel Arcanjo e o ciclista Vanceslau Fernandes, que, apesar de terem chumbado exames médicos, puderam sempre praticar desporto sem problemas de maior.

"Miguel Arcanjo era um defesa central à moda antiga, tipo sorna, que quase não se mexia, e que reprovava todos os anos nos exames médico-desportivos, porque tinha 40 pulsações por minuto", referiu, sublinhando que, teoricamente, "não há ninguém que possa jogar futebol com 40 pulsações por minuto".

"Quando acelerava, ia para as 45/50 pulsações por minuto, mas não passava disso", disse Pinto da Costa, atribuindo ao equilíbrio bio- psicológico de Miguel Arcanjo a capacidade que teve para jogar futebol sem sofrer qualquer acidente cardíaco.

"Não há preconceitos [na medicina desportiva]. A variabilidade é muito grande", referiu, sublinhando a dificuldade que há actualmente na medicina legal de detectar causas de morte súbita de desportistas que, anos antes, possam ter ingerido substâncias dopantes ou anabolizantes.

"Uma administração anterior de dopantes pode, anos mais tarde, desencadear uma morte súbita, devido às acções provocadas nas fibras musculares, como as fibras cardíacas", salientou.

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