Moviflor estava disposta a reintegrar antigo funcionário que segunda-feira matou supervisor

Viseu, 08 Abr (Lusa) - A Moviflor garantiu hoje que estava disposta a reintegrar o seu antigo funcionário que segunda-feira matou um supervisor na loja de Viseu numa função adequada ao seu estado físico, mas que tal nunca lhe foi solicitado.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

José Silva, que acabou por morrer na madrugada de hoje num despiste na zona de Águeda, estava a ser procurado pelas autoridades policiais, por suspeita de ter feito disparos nas instalações da Moviflor, atingindo mortalmente o supervisor José Manuel Ferreira, e na Açoreana Seguros, em Viseu.

A directora de comunicação da Moviflor, Eugénia Dias, explicou à Agência Lusa que José Silva tinha sido admitido a 01 de Agosto de 2000 como montador de móveis e que, posteriormente, exerceu "diversas funções na sua área de conhecimento, sempre com profissionalismo".

Em Janeiro de 2006 sofreu um acidente de viação quando regressava a casa, em S. Pedro do Sul, na sua própria viatura, o que levou a Moviflor a accionar "o seguro junto da sua seguradora, tendo o trabalhador recebido toda a assistência médica e acompanhamento necessário nestas situações".

Segundo Eugénia Dias, José Silva apresentou baixa médica até Fevereiro de 2007 e, como depois não se apresentou no seu posto de trabalho, "o departamento Recursos Humanos da Moviflor solicitou ao funcionário, por carta, um esclarecimento desta ausência".

"No dia 18 de Abril de 2007, em resposta a esta carta, o funcionário informa a Moviflor que não comunicou atempadamente a sua ausência, mas que, no entanto continuaria a não apresentar-se na Moviflor dado não ter condições físicas e psicológicas para o fazer", contou.

Nesse âmbito, a 24 de Abril de 2007, a Moviflor enviou-lhe "uma carta de renúncia do contrato de trabalho", por faltar ao trabalho "sem que tivesse apresentado as justificações legais".

Eugénia Dias referiu que, na carta de resposta que José Silva enviou a 18 de Abril de 2007, este "apenas referia que se sentia sem capacidades, tanto físicas como mentais, para exercer as suas funções ou qualquer outra na empresa em que trabalhava".

No entanto - garantiu - "de acordo com a política de responsabilidade social praticada pela Moviflor, a empresa estava completamente disposta a integrá-lo na actual ou noutra função adequada ao seu estado físico".

"Como já aconteceu anteriormente com outros funcionários da empresa que, por motivos de saúde, se viram impossibilitados de exercer as suas funções a 100 por cento, recebendo apoio total a nível psicológico e financeiro da Moviflor", acrescentou, frisando que tal só não aconteceu neste caso porque "nada foi solicitado pelo trabalhador".

José Manuel Ferreira, que acabou por morrer já no bloco operatório do Hospital de S. Teotónio com um tiro no abdómen, era funcionário da Moviflor há mais de 11 anos e "mantinha uma excelente relação com todos os seus colegas e ex-colegas".

"Sendo assim, nenhum dos colegas da loja de Viseu suspeitou de qualquer tipo de desentendimento entre ambos ao longo deste último ano", contou a directora de comunicação, acrescentando que José Silva foi "sempre bem recebido nas suas visitas à loja".

A Moviflor lamenta a morte de José Manuel Ferreira, de 34 anos, que tinha sido admitido como vendedor, passando depois a gerente de loja e, recentemente, a supervisor de zona.

José Silva acabou por morrer cerca das 03:30 de hoje, num despiste do carro em que tinha fugido das instalações da Acoreana de Viseu, ocorrido na Estrada Nacional 336, entre Belazaima e Redonda, em Águeda.

Ambos os funerais se realizam quarta-feira: o de José Manuel Ferreira às 16:00, no cemitério de Abraveses, e o de José Silva uma hora depois, em S. Pedro do Sul.


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