Movimento de Utentes convoca manifestação contra STCP
O Movimento de Utentes dos Transportes Públicos da Área Metropolitana do Porto (MUT-AMP) convocou para as 17:00 de quinta-feira, na Avenida dos Aliados, uma manifestação de protesto contra a nova rede da STCP.
"Não estamos contra a reestruturação da rede da STCP [Sociedade de Transportes Colectivos do Porto], pelo contrário, mas pensamos que esta, em particular, foi feita à pressa e sem ter em conta as necessidades dos utentes", disse Norberto Alves, da direcção do movimento.
Em declarações à agência Lusa, Norberto Alves disse que a manifestação de quinta-feira pretende também alertar as entidades competentes, nomeadamente o Governo e a Assembleia da República, para o que se está a passar em termos de transportes públicos na cidade do Porto.
"A STCP e a empresa do Metro do Porto estão a convergir para um sistema comercial, pondo em causa o conceito de transporte público", disse o porta-voz do MUT-AMP, referindo ter já enviado uma carta ao ministro dos Transportes, Mário Lino, alertando-o para esta realidade.
Norberto Alves considerou que, no caso concreto da STCP, a reestruturação da rede causa "inúmeros prejuízos e inconvenientes aos utentes", devido à eliminação de carreiras, transbordos, alteração de horários, substituição e encurtamento de percursos em várias linhas.
Considerou que os vários protestos de utentes realizados nos últimos dias, em particular no concelho de Gondomar, seriam "evitáveis" se a STCP demonstrasse interesse em discutir as alterações na rede com a população.
Citou como "exemplo negativo" a carreira 77, que passa a denominar-se 206, e assume novo percurso, deixando de fora o bairro de Santo Eugénio, em Ramalde.
Criticou também as decisões da STCP em relação às zonas de Rio Tinto e Areias (concelho de Gondomar), de Lavra (concelho de Matosinhos) e de Campanhã (Porto).
"É também grave que toda a Via Norte deixe ser servida por autocarros, com a extinção da carreira 95, privando de transporte os trabalhadores da muitas fábricas e empresas ali existentes", acrescentou Norberto Alves.
O dirigente do MUT-AMP afirmou-se ainda "preocupado com o facto de que, com esta reestruturação, passar a ser quase impossível vir da periferia para o centro da cidade sem efectuar dois ou mais transbordos".
O movimento de utentes é também muito crítico relativamente ao tarifário em vigor na Área Metropolitana do Porto (AMP), "muito mais caro do que o praticado em Lisboa".
Sustentou tratar-se de "um desfasamento injustificável".
"Defendemos a manutenção de um passe único e rejeitamos esta bilhética confusa que retalha a Área Metropolitana do Porto em 43 zonas", afirmou Norberto Alves.
"Preferia a adopção do modelo, muito mais simples, em prática em Lisboa, onde o tarifário se organiza em "coroas", à volta da "baixa" da capital", disse.
Norberto Alves referiu ainda que está a ser ultimado um abaixo- assinado, com cerca de cinco mil assinaturas, que será entregue durante esta semana na Assembleia da República.
"O objectivo é que a Assembleia da República se pronuncie sobre o modelo de transporte público na cidade do Porto", acrescentou.
A nova rede da STCP, que começou a funcionar segunda-feira, conta com um total de 58 linhas, sendo 50 com uma designação de três dígitos, seis linhas especiais com a designação "Z", e duas linhas de carro eléctrico.
Mantêm-se em operação 13 linhas da Rede Madrugada e, ainda, oito linhas operadas por empresas privadas.
No primeiro dia do ano entrou também definitivamente em vigor o novo sistema de bilhetes dos STCP, com novos cartões de passe e títulos ocasionais.