Movimento Esperança Portugal (MEP) quer organizar em partido cidadania activa

Leiria, 06 Abr (Lusa) - O Movimento Esperança Portugal (MEP) quer levar a cidadania participativa para a política, através da criação de um partido que irá defender uma ideologia de "humanismo personalista", anunciou hoje um dos seus fundadores.

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Durante uma sessão pública de apresentação do MEP, no sábado à noite, em Leiria, Rui Marques, ex-Alto Comissário para a Imigração e fundador da Fórum Estudante, explicou que este movimento cívico quer organizar em partido a cidadania activa que presidiu à sua fundação e que defende "políticas concretas" para combater a exclusão social.

"É um projecto de cidadania que chama muito a atenção para a responsabilidade de cada um de nós enquanto cidadãos na construção da política".

Como as regras democráticas impõem que a estrutura se constitua em partido foi iniciada a recolha de assinaturas mas o MEP "é antes de mais um movimento de cidadania" porque só assim não irá "perder os seus valores", defendeu Rui Marques, durante o encontro de apresentação do projecto, junto de algumas dezenas de pessoas reunidas em Leiria.

A aposta do MEP passa pela defesa dos "grandes valores da justiça social e da coesão", promovendo uma "cultura de pontes" entre projectos políticos e a defesa da "família, desenvolvimento sustentado".

Estas "são referências que não queremos perder nunca", até porque estes problemas não conseguem ter uma solução pelos partidos tradicionais.

"Alguns partidos afastaram-se muito da sua ideologia inicial e do seu projecto político propriamente dito", defendeu Rui Marques.

A sessão de sábado à noite inscreve-se numa estratégia de sensibilização dos cidadãos, repetindo iniciativas semelhantes já realizadas no Porto, Aveiro, Coimbra, Setúbal e Lisboa.

Trata-se de uma primeira "etapa de dar a conhecer o Movimento Esperança Portugal" e o "núcleo de contactos tem sido muito focado na recolha de assinaturas" para a criação de um partido.

A recolha de assinaturas arrancou há três semanas e já foram 1.200 os portugueses subscritores do projecto, que se recusa definir-se ideologicamente entre a esquerda e a direita.

Tem havido uma "reacção muito boa quanto ao MEP e à Política da Esperança" e, ao mesmo tempo, "uma atitude muito descrente e muito pessimista em relação à política e aos políticos tradicionais".

"A política está muito desacreditada: é mesmo necessário apostar numa política da esperança que altere este estado de coisas", defendeu Rui Marques, que propor um trabalho pela "positiva com uma visão construtiva que não se baseie na má-língua".

Contrariando a "ideia pessimista e derrotista" que muitos portugueses têm, o MEP criou grupos de trabalho que estão a preparar até final deste ano o programa eleitoral do partido para as próximas eleições.

A prioridade será a justiça social, com particular destaque ao combate do desemprego ou a inclusão dos idosos solitários", passando pela "resolução dos problemas da habitação, das crianças vítimas de maus-tratos e deficiência ou imigrantes".

No que respeita ao Estado, o MEP preconiza que "deve ser uma pessoa de bem", construindo uma "uma relação de confiança com os cidadãos" e promovendo a gestão de "proximidade e não centralista e majestática a partir dos grandes ministérios" em Lisboa, disse Rui Marques.

"A nossa preocupação essencial é com a política de rosto humano, preocupada com as pessoas concretas, em particular com aquelas em risco de exclusão", salientou.

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