Movimentos pelo "não" defendem "causa sem fim" em marcha com 8 mil

Os movimentos pelo "não" defenderam hoje na Alameda, em Lisboa, que a vida é "uma causa sem fim" no final de uma caminhada em que participaram entre oito a nove mil pessoas, segundo estimativas da PSP.

Agência LUSA /

"Defender a vida é uma causa sem fim e nada nem ninguém nos vai fazer p arar até 11 de Fevereiro", disse Margarida Neto da "Plataforma Não Obrigada" per ante os milhares de manifestantes que quase enchiam o relvado da Alameda Afonso Henriques, em Lisboa.

A "Caminhada pela Vida", que se iniciou cerca das 14:00 junto à Materni dade Alfredo da Costa, terminou na Alameda duas horas e meia depois, onde os man ifestantes foram recebidos por altifalantes de onde saia o som do que a organiza ção disse ser o coração de um feto de 10 semanas.

Margarida Neto exortou os manifestantes a manterem-se "unidos na defesa da vida", adiantando que foi por causa da amizade e união entre os que são cont ra a interrupção voluntária da gravidez (IVG) que o "não" saiu vencedor no refer endo de 1998.

Na marcha, que contou com a presença de muitas crianças e jovens, parti ciparam movimentos cívicos ligados à Igreja, associações de defesa dos idosos e das crianças e grupos de escuteiros de todo o país.

Pelo palco instalado na Alameda passaram ainda representantes de movime ntos contra o aborto de Espanha, França e Itália.

Esperanza, uma espanhola que há 12 anos sofreu "um aborto provocado", i nterveio para defender o direito das mulheres a terem uma alternativa ao aborto.

Por seu lado, George Martin, da associação francesa "Droit de Naitre", alertou para a "catástrofe semelhante à da França" que se abaterá sobre Portugal se o "sim" sair vencedor do referendo.

"A modernidade está em dizer não, não se deixem levar por falsas ideias ", advertiu, defendendo que os dinheiros públicos devem servir para "preservar a vida e não para matar".

Com o percurso organizado em sete etapas: concepção (Maternidade Alfre do da Costa), nascimento (Praça Duque de Saldanha), infância (Avenida Praia da V itória), adolescência (Avenida do México), juventude (Praça de Londres), idade a dulta (Avenida Guerra Junqueiro) e idade dos avós (Avenida Guerra Junqueiro), Figuras como o líder do CDS-PP, Ribeiro e Castro, os ex-ministros Bagão Félix e Pedro Aguiar Branco, a fadista Kátia Guerreiro, a actriz Glória de Mato s ou a escritora Rita Ferro juntaram-se aos milhares de manifestantes que gritar am slogans como "Abortar por opção quando já bate um coração?Não", "A vida é bel a não podemos dar cabo dela".

Maria do Rosário Jesus, 66 anos, veio da Amadora para participar na mar cha porque "é bom viver, toda a gente tem direito a viver e é um crime ajudar a matar", disse em declarações à agência Lusa, momentos antes do início da marcha.

Católica, não vislumbra soluções para as mulheres que se vêem forçadas a abortar, mas vai dizendo a medo que a solução talvez passe por ficarem solteir as, como ela.

Empunhando com orgulho uma bandeira verde, a cor que na marcha simboliz ou a Adolescência, Carmo Duarte, aluna do 8º ano, destacava-se entre um pequeno grupo que entoava a plenos pulmões uma "Ninguém pára o não", numa adaptação do c ântico benfiquista.

Do alto dos seus 13 anos lembra que "não se deve abortar porque é matar um bebezinho".

"Defensora acérrima da vida", a fadista Kátia Guerreiro, uma das celebr idades que se associou à marcha defendeu a necessidade de a mulher se responsabi lizar pela própria vida "não a sacrificando a interesses de momento, por vezes, egoístas".

Reconhecendo que a opção pelo aborto não é tomada de ânimo leve, aconse lhou as mulheres a não adoptarem uma atitude semelhante na altura da procriação para não terem que passar pela "dolorosa" decisão de abortar.

Para a fadista, qualquer mulher pode ter um filho, mesmo que seja sozinha.


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