MP com três inquéritos sobre polémicas do MAI. Luís Neves diz saudar todas as investigações

MP com três inquéritos sobre polémicas do MAI. Luís Neves diz saudar todas as investigações

O Procurador-Geral da República anunciou que há três inquéritos abertos relacionados com as polémicas que envolvem Luís Neves. Em resposta à RTP, o ministro da Administração Interna disse saudar todas as investigações "que contribuam para a reposição da verdade".

Mariana Ribeiro Soares - RTP / Adicionar como fonte informativa
Homem de Gouveia - Lusa

Em declarações aos jornalistas, Amadeu Guerra explicou que para além do processo relacionado com o atrelado, há um inquérito relacionado com a casa de Odemira do ministro da Administração Interna e outro sobre a utilização por parte de Luís Neves de um carro apreendido pela Polícia Judiciária.

Os dois primeiros foram classificados “de natureza urgente”.

O Procurador-Geral da República não sabe quando podem estar terminadas as investigações, mas espera ter o “despacho final o mais rápido possível”.

Para além dos três inquéritos, há ainda um processo no Tribunal de Contas e uma investigação de natureza administrativa sobre casos que envolvem o ministro Luís Neves.

Em resposta à RTP, Luís Neves afirma que “saúda todas as investigações, inquéritos, averiguações, fiscalizações e auditorias que sejam efetuadas pelas instâncias competentes e contribuam para a reposição da verdade”.

O ministro da Administração Interna está a ser alvo de diversas polémicas que se arrastam há vários meses, e envolvem sobretudo a sua anterior gestão à frente da Polícia Judiciária, contratos públicos, obras na sua propriedade e uso de bens apreendidos em operações criminais.

Em julho soube-se que um atrelado apreendido pela PJ numa operação antidroga estava nos armazéns da empresa do empreiteiro da empresa ConstruBarcelos – a mesma empresa contratada por Luís Neves para remodelar uma casa de família em Odemira. A mesma empresa tinha celebrado vários contratos com a Polícia Judiciária entre 2019/2020 e 2025, enquanto Neves era diretor nacional da PJ.

As obras na casa em Odemira incluíram a construção de uma piscina (inicialmente referida como “tanque”), em zona protegida, levantando questões de licenciamento e enquadramento fiscal.

Mais recentemente foi também revelado que Luís Neves continua a usar, em regime de comodato, uma viatura apreendida pela PJ numa operação ligada ao tráfico de droga.

O Chega transformou estas controvérsias num caso político nacional, anunciando uma moção de censura ao Governo, que vai ser debatida no Parlamento na próxima terça-feira.

O partido de André Ventura quer também abrir uma comissão de inquérito sobre Luís Neves, mas o presidente da Assembleia da República disse que irá rejeitá-la se o Chega não alterar o requerimento.
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