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"Muito mais do que uma alteração visual". Jornalistas da rádio pública em protesto contra uniformização da marca RTP

"Muito mais do que uma alteração visual". Jornalistas da rádio pública em protesto contra uniformização da marca RTP

A nova identidade passa para segundo plano o nome das rádios. "Não somos uma rádio que se escreve em letras minúsculas, com um conjunto de letrinhas que mal se vê à distância", adverte o jornalista da Antena 1, João Couraceiro, em dia de protesto à entrada da RTP, em Vila Nova de Gaia.

Ana Fernandes Silva - RTP Antena 1 /
Foto: Cláudia Aguiar Rodrigues - RTP Antena 1

O arranque de semana chega com mudanças, sobretudo, para o serviço público de rádio, em Portugal. Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP Internacional, RDP África passam a ser RTP Antena 1, RTP Antena 2 e RTP Antena 3, RTP Mundo e RTP África. 

A nova identidade faz parte do processo de unificação da marca apresentado pela administração da RTP - Rádio e Televisão de Portugal. Uma mudança que já começou debaixo de muita contestação interna.

Esta segunda-feira de manhã, dezenas de jornalistas do Centro de Produção Norte (CPN) uniram-se num protesto em frente às instalações, em Vila Nova de Gaia.

O jornalista e membro do Conselho de Redação da Rádio, João Couraceiro, justifica a ação como "necessária e urgente", porque se trata de "uma nova arquitetura de imagem, assim designada pela empresa, que na nossa perspetiva é feita à custa de um enfraquecimento flagrante e evidente de um dos alicerces fundamentais do serviço público, o serviço público de rádio".

Para o jornalista, a renovação da imagem gráfica vem "anular marcas históricas da rádio pública, de que a Antena 1 é exemplo".

"Em reportagem vamos passar a identificar-nos com o azul que todos associamos à televisão, com bolas de vento com destaque para a TV, e em baixo, discretamente, uma faixa vermelha com Antena 1 em letras minúsculas", lamenta.

O jornalista da rádio pública sublinha: "não somos uma nota de rodapé, não somos uma rádio que se escreve em letras minúsculas com um conjunto de letrinhas que mal se vê à distância".

Nos cartazes pendurados à entrada das instalações podiam ler-se frases como "uniformizar é só uma maneira cobarde de dizer extinguir".

"Isto não é só uma questão de estética, de semântica, isto é apagar diversidade, é apagar diferenças, é destruir, em última análise, o serviço público de rádio. Isto é muito mais do que uma alteração visual", sublinha um dos protestantes.

A nova imagem traz o fim da histórica RDP, unificando a RDP Internacional e RTP Internacional sob a marca RTP Mundo. Assim como acontece com a RDP África, que se funde com a RTP África. As barras do logótipo também desaparecem, passando o foco visual para a sigla RTP.

No passado dia 18 de março, os jornalistas do serviço público rejeitaram em plenário a uniformização das marcas, por considerarem estar “em curso a fragilização da informação do serviço público“.

"Na concentração estiverem presentes quase todos os jornalistas da redação da Antena 1 e ainda dois jornalistas da RTP. 
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