Muitos luso-indianos residentes em Portugal estão a emigrar para Inglaterra
Muitos dos luso-indianos residentes em Portugal estão a iniciar uma nova rota de emigração e a fixarem-se em Inglaterra, mas apesar da mudança de país continuam a sentir-se portugueses.
Não há dados estatísticos sobre o número de pessoas originárias da Índia que vivem em Portugal, pois a sua maioria tem nacionalidade portuguesa e a comunidade hindu "está a esvaziar-se" devido ao número significativo de saídas para Inglaterra.
A investigadora Susana Pereira Bastos, coordenadora do Centro de Estudos das Migrações e das Minorias Étnicas da Universidade Nova de Lisboa, disse à agência Lusa que, desde 1998, milhares de portugueses de origem indiana têm saído de Portugal e procurado trabalho em Inglaterra.
De acordo com a investigadora, com trabalhos publicados sobre a matéria, muitos destes luso-indianos trabalhavam em Portugal na construção civil e, com a chegada dos imigrantes de Leste, o trabalho começou a escassear.
Susana Pereira Bastos adiantou que também estão a sair de Portugal luso-indianos de elite.
Oportunidades de trabalho e uma boa assistência social são os factores que contribuem para a crescente emigração para a Inglaterra, afirmou, sublinhando que os luso-indianos que estão a sair do país sentem-se portugueses e têm "Portugal como a sua pátria".
Em Inglaterra, identificam-se como portugueses de origem indiana e têm como objectivo regressar a Portugal um dia mais tarde, frisou.
"Conheço pessoas que quando receberam o primeiro ordenado em Inglaterra foram jantar a um restaurante português", contou, explicando que muitos dos portugueses de origem indiana têm nacionalidade portuguesa e não conhecem a Índia.
Apesar de não existirem dados, a Embaixada da Índia em Portugal estima que haverá cerca de 60 mil pessoas originárias da Índia a viver em Portugal, incluindo sete mil com passaporte indiano.
De acordo com a embaixada, a maioria está concentrada em Lisboa e Porto e dedica-se ao comércio e à construção civil.
A comunidade indiana em Portugal inclui hindus, católicos, muçulmanos, ismaelitas e sikh.
A imigração indiana para Portugal tem essencialmente dois períodos. O primeiro teve origem durante a ocupação portuguesa em Goa, Damão e Diu, terminada com a invasão militar de 1961 daquelas colónias pela União Indiana.
Durante a ocupação portuguesa, muitas elites vinham estudar para Portugal, frisou a investigadora.
De acordo com o secretário-geral da Casa de Goa, José Maria Furtado, são cerca de 10 mil os goeses a viver em Portugal.
Um segundo fluxo chegou a Portugal depois do 25 de Abril de 1974, com a chegada dos originários da província indiana Gujarati que se tinham estabelecido em Moçambique.
Susana Pereira Bastos adiantou que a presença de originários da Índia em Portugal "é claramente visível" a partir de 1974.
Os goeses e os gujaratis, que constituem a grande fatia das pessoas originárias da Índia a viver em Portugal, estão "bem integrados" no país e têm uma reduzida taxa de delinquência infantil e de insucesso escolar, sublinhou.
A investigadora frisou que os portugueses de origem indiana não se consideram uma "minoria étnica", mas sim "uma minoria religiosa".
Acrescentou que nos anos 90 começaram a chegar a Portugal imigrantes oriundos da província indiana de Punjabis, que se fixaram essencialmente na região de Lisboa e do Algarve para trabalhar igualmente na construção civil e no comércio.
Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), vivem legalmente em Portugal perto de quatro mil indianos, número que corresponde ao grupo de cidadãos chegado durante os anos 90.