Mulher portuguesa é reconhecida pelos valores familiares e trabalho

A família portuguesa em França é mais tradicional do que em Portugal, sendo a mulher associada ao seu empenho no trabalho e no lar, disse à Agência Lusa o presidente da Federação das Associações Portugueses de França (FAPF).

Agência LUSA /

José Machado considerou que a mulher portuguesa é vista pela sociedade francesa como o "centro familiar", que dá muita importância à "família tradicional".

"A família na emigração é mais tradicional que em Portugal. Em França não se verificou uma evolução, mantendo-se os mesmos valores dos anos 60 e 70, quando a primeira geração de portugueses emigrou", afirmou.

No entanto, disse, os filhos já são idênticos "em tudo" aos franceses.

O papel da mulher portuguesa no movimento associativo e no mundo da emigração, particularmente em França, vai estar em debate domingo, em Paris, numa conferência organizada pela FAPF para comemorar o Dia Mundial da Mulher, que se assinala a 08 de Março.

O presidente da FAPF adiantou que a mulher portuguesa é igualmente reconhecida pelo trabalho que faz, desempenhando as funções "com energia, sacrifício e dedicação".

José Machado disse ainda que "o número de mulheres em lugares directivos em associações portuguesas é ainda diminuto, apesar de muitas delas demonstrarem excelentes qualidades para o seu desempenho".

De acordo com responsável, apenas 30 por cento dos cargos directivos em associações portuguesas são ocupados por mulheres.

"Os homens ainda estão muito agarrados ao poder", afirmou, destacando a dedicação das mulheres nas funções que desempenham nas associações.

"As associações dão muito trabalho e as mulheres têm mais dedicação do que os próprios homens", sublinhou.

Na conferência, que contará com a presença de dirigentes associativas, serão ainda feitas "comparações" sobre a forma como as mulheres são tratadas em Portugal e em França.

A nova lei da paridade em Portugal e a vitória do "sim" no referendo ao aborto realizado em Fevereiro são outros temas em debate na iniciativa que contará com a participação da antiga secretária de Estado das Comunidades e ex-deputada do PSD, Manuela Aguiar, e da presidente da Associação Mulher Migrante, Rita Gomes.

O deputado do PSD eleito pela Emigração Carlos Gonçalves também vai estar presente na conferência.

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