Mulheres "emigram" um dia para Espanha por aborto ser mais barato

O presidente da Associação de Planeamento Familiar do Algarve, António Filhó, garantiu que várias mulheres adquirem o estatuto de "emigrantes por um dia" em Espanha, para poderem interromper a gravidez com comparticipação estatal.

Agência LUSA /

"Nas clínicas espanholas, as pacientes preenchem a papelada que as torna e migrantes por um dia, o que lhes garante que os custos sejam reduzidos para meta de", afiançou aquele defensor do "sim" no referendo de 11 de Fevereiro durante u m debate com adeptos do "não", realizado esta tarde na Escola Secundária João de Deus, em Faro.

O debate, organizado pela Associação de Estudantes daquele estabelecimento de ensino - o antigo liceu da capital algarvia - contou com a participação inte ressada de muitas dezenas de jovens e professores, que enchiam o auditório da es cola.

Pelo lado do "não" participou a médica de clínica geral Ester Coelho, que assegurou que as clínicas espanholas em que se interrompe a gravidez "são as emp resas mais lucrativas" do país vizinho.

Por outro lado, Ester Coelho - que, tal como António Filhó, estava acompan hada de uma jovem do seu movimento - asseverou que a despenalização do aborto in centiva aquela prática e exemplificou com o caso dos EUA, onde, disse, se realiz am por ano 1,3 milhões de abortos legais.

Contrariamente a Ester Coelho, que identificou o início da vida humana com a fecundação do óvulo, António Filhó defendeu que a vida humana se define a par tir da altura em que se define o córtex cerebral, que "induz a capacidade de sen tir prazer ou dor", isto é, após as 10 semanas que agora marcam o limite para a proposta de referendo.

Ester Coelho, que chegou a ser líder distrital do Algarve do CDS-PP e mead os dos anos 90, começou a sua abordagem com um vídeo acerca das primeiras dez se manas de gestação e defendeu a actual lei, que "já permite a interrupção até às dez semanas".

"Se o valor principal é a vida, então não se percebe porque é que muitos d efensores do não defendem a actual lei, pois uma vida não deixa de o ser se for fruto de uma violação ou se a criança puder vir a ser deficiente", contrapôs a p ropósito António Filhó, licenciado em sociologia.

O debate foi seguido por uma plateia irrequieta mas atenta, maioritariamen te composta por adolescentes, que se mostrava dividida sobre a matéria.


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